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Mercado já se posiciona para petróleo a US$ 50, diz Goldman Sachs

Mercado já se posiciona para petróleo a US$ 50, diz Goldman Sachs

Recomposição de estoques globais, retomada dos fluxos pelo Estreito de Hormuz e mudanças no posicionamento de investidores devem guiar a dinâmica

Os preços do petróleo recuaram após o anúncio de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, que ampliou o cessar-fogo e permitiu a reabertura gradual do Estreito de Hormuz.

A commodity, medida pelo Brent, caiu para cerca de US$ 76 por barril em 18 de junho, após ter atingido aproximadamente US$ 118 em abril, durante o período mais intenso do conflito. Ainda assim, os níveis seguem acima dos cerca de US$ 60 observados no início do ano, antes da escalada geopolítica, mas alguns investidores institucionais já se posicionam para o petróleo a US$ 50 ou US$ 60.

Para o Goldman Sachs, o movimento recente reflete em grande parte a recomposição das expectativas do mercado.

“A maior parte dos movimentos de preço provavelmente já está precificada”, afirma Jerome Dortmans, co-head global de trading de petróleo e derivados do banco.

Segundo o executivo, a percepção de que houve avanço diplomático reduziu o prêmio de risco embutido nas cotações.

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Apesar da queda, o cenário ainda inspira cautela.

“De forma alguma isso acabou, mas parece que estamos avançando para um ambiente mais tranquilo, que permitirá ao mercado de petróleo encontrar um equilíbrio de preços mais saudável”, diz Dortmans.

Ele ressalta que muitos pontos técnicos ainda precisam ser definidos para um acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã.

Ajuste gradual e volatilidade no curto prazo

A avaliação do Goldman Sachs é de que o mercado entrou em uma nova fase, marcada por maior estabilidade relativa, mas ainda sujeita a oscilações.

“O mercado deve cair gradualmente”, afirma Dortmans. Segundo ele, a trajetória de preços tende a ser de acomodação, com episódios pontuais de volatilidade provocados por novas manchetes ou avanços — ou retrocessos — nas negociações diplomáticas.

A dinâmica de oferta e demanda também deve influenciar esse processo.

Os estoques globais foram significativamente reduzidos durante o conflito, ao mesmo tempo em que a demanda por combustíveis tende a crescer com a chegada do verão no hemisfério norte, especialmente no terceiro trimestre. Esse cenário reforça a necessidade de preços mais baixos para equilibrar o mercado.

Fluxos retomados e mudanças no comportamento dos investidores

A reabertura do Estreito de Hormuz deve permitir a retomada gradual dos fluxos de petróleo, incluindo cargas que ficaram retidas durante o período mais crítico da crise. O acordo temporário, com duração de 60 dias, autoriza o Irã a retomar exportações, o que contribui para aliviar as tensões sobre a oferta global.

Nesse contexto, investidores já começam a reposicionar suas estratégias.

“Alguns investidores institucionais estão se posicionando para que os preços do petróleo caiam para US$ 50 ou US$ 60 por barril relativamente rápido”, afirma Dortmans.

A expectativa é de que a resolução do conflito leve à formação de excedentes no mercado em um intervalo curto de tempo.

Ainda assim, o executivo alerta para os riscos de preços muito baixos, que podem afetar a oferta. Produtores com custos mais elevados podem reduzir sua produção, revertendo parte do aumento recente observado fora do Oriente Médio, em países como Brasil, Cazaquistão e Venezuela.

Oferta global, estoques e risco de excesso

O Goldman Sachs avalia que, caso um acordo definitivo seja firmado, o mercado poderá entrar em uma fase mais “benigna”, com aumento relevante da oferta, especialmente por parte do Irã. Ao mesmo tempo, países importadores, sobretudo na Ásia, podem ampliar seus estoques para se proteger de futuras interrupções.

“Devido aos preços mais altos, o mercado claramente reduziu os níveis globais de estoques, não apenas de petróleo bruto, mas de todo o complexo, incluindo matérias-primas petroquímicas e produtos finais”, afirma Dortmans.

Segundo ele, haverá um período de recomposição desses estoques caso a demanda retorne aos níveis pré-conflito.

No curto prazo, o banco projeta que o Brent deve encontrar um piso na faixa entre US$ 70 e US$ 75 por barril. Já no médio prazo, existe a possibilidade de surgimento de excedentes, especialmente entre o fim de 2026 e 2027, a depender da evolução da oferta e da normalização completa do cenário geopolítico.