Mesmo após uma forte valorização em 2026, algumas ações brasileiras ainda negociam com desconto relevante em relação a seus pares globais — e podem ter espaço adicional para subir. É o que aponta relatório do Bank of America, que destaca oito papéis no Brasil que, apesar da recente decolagem, continuam baratos sob uma ótica relativa internacional.
Segundo o banco, o rali recente na América Latina foi impulsionado principalmente pela expansão de múltiplos — e não por revisões positivas de lucros —, o que reduziu parte dos descontos históricos da região. Ainda assim, diversas ações brasileiras seguem negociando abaixo da média quando comparadas a empresas similares no exterior, abrindo oportunidades de valorização adicional caso o fluxo global para mercados emergentes continue.
Entre os destaques no Brasil estão nomes como Itaú Unibanco (ITUB4), Direcional (DIRR3) e Vivo (VIVT3), que, embora pareçam mais caros em relação ao próprio histórico, ainda estão descontados frente a concorrentes globais. Esse descompasso sugere que o mercado internacional ainda não precificou integralmente o potencial dessas companhias.
Outras empresas listadas pelo Bank of America incluem Lojas Renner (LREN4), Assaí (ASAI3) e Motiva (MOTV3), que aparecem com descontos ainda mais expressivos, superiores a um desvio padrão em relação à média global do setor. Esses papéis combinam recuperação operacional com valuations ainda deprimidos, o que reforça o potencial de reprecificação.
Leia também:
Dispersão relevante
O relatório também destaca que, no nível agregado, o mercado brasileiro já não parece tão barato quanto no passado recente, estando próximo de sua média histórica. No entanto, a análise setorial revela uma dispersão relevante, com algumas ações ainda bastante descontadas, enquanto outras — especialmente no setor de utilities — já operam com prêmios elevados.
Na visão do banco, o principal gatilho para uma nova rodada de valorização seria a continuidade da rotação global para mercados emergentes. Caso esse movimento se intensifique, ações brasileiras que ainda negociam com desconto relativo podem liderar o próximo ciclo de alta.
Assim, mesmo após um início de ano positivo, o mercado brasileiro ainda oferece oportunidades seletivas — especialmente para investidores atentos às distorções de valuation em comparação com o cenário global.






