O economista-chefe do banco BTG Pactual (BPAC11), Mansueto Almeida, acredita que Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) teve uma “boa justificativa técnica” para iniciar a redução da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, em 0,5 ponto percentual, na reunião da semana passada.
“Acho que esse ritmo de corte de 0,5 ponto foi um bom começo, não foi nenhum exagero”, afirmou o economista, que será um dos palestrantes da Money Week, evento que a EQI Investimentos promove na semana que vem, de forma online e gratuita.
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Mansueto, no entanto, acredita que o governo terá de fazer ajustes em sua previsão de corte de gastos para sustentar uma redução mais acelerada dos juros, o que ele vê acontecendo em breve.
“O Banco Central começou em um ritmo de corte correto. O problema é que em algum momento o mercado vai fazer a aposta de corte de 0,75 ponto, talvez para a última reunião do ano. E, para o BC acelerar esse corte, vai ser necessária uma melhora substancial do cenário neste ano, uma reancoragem da inflação e uma abertura do hiato de produto (a diferença entre o PIB real e o potencial de uma economia)”, afirmou Mansueto Almeida durante evento em São Paulo.
O economista disse ainda que o Brasil tem recebido “votos de confiança” das agências de classificação de risco, como aconteceu com a S&P e Fitch nas últimas semanas, mesmo sem o cumprimento de metas fiscais estabelecidas pelo governo. “As agências deram esse voto de confiança em reconhecimento às reformas que o Brasil fez nos últimos anos”, explicou.
Mansueto acredita que o novo arcabouço fiscal proposto pelo Ministério da Fazenda e em fase final de discussão no Congresso não resolve o problema do aumento no gasto público, mas indica ao menos que o país vai entrar em um “cenário de melhora” evitando ao menos o crescimento da dívida.
Por outro lado, o economista-chefe do BTG vê chance praticamente zero de que o país reduza sua carga tributária nos próximos anos. “O governo tomou a decisão de aumentar gastos permanentes, e precisa ver como vai financiar isso. Agora é que vai começar esse debate, e talvez o Congresso e sociedade não queiram o mesmo que o governo quer”, concluiu Mansueto Almeida.






