A gigante francesa do setor de luxo LVMH (LVMH) registrou desempenho abaixo do esperado com queda nas ações no primeiro trimestre de 2026, pressionada pelos efeitos da guerra no Oriente Médio. O conflito, especialmente envolvendo o Irã, reduziu em pelo menos 1% o crescimento das vendas do grupo no período, segundo comunicado da companhia.
As vendas globais cresceram apenas 1% em bases comparáveis, abaixo da expectativa de analistas, que projetavam alta de 1,5%. O faturamento total atingiu 19,1 bilhões de euros, também inferior às estimativas do mercado.
Queda nas ações e reação dos investidores
A divulgação dos resultados repercutiu negativamente entre investidores. As ações da LVMH acumulam queda de 26% desde o início do ano, posicionando o conglomerado entre os piores desempenhos da Europa em 2026. No pregão mais recente, os papéis negociados nos Estados Unidos recuaram 3,75%.
O movimento reflete a crescente preocupação com os impactos prolongados do conflito sobre o consumo global de bens de luxo, um setor avaliado em cerca de US$ 400 bilhões.
Oriente Médio e Europa pressionam vendas
O Oriente Médio, responsável por cerca de 6% da receita da LVMH, foi uma das regiões mais afetadas. A empresa registrou forte queda no fluxo de consumidores em shoppings, com retração média de 50%.
“O que vemos hoje é que a demanda continua muito baixa”, afirmou a diretora financeira Cecile Cabanis.
Além disso, a Europa também apresentou desempenho negativo, com queda de 3% nas vendas, impactada tanto pela valorização do euro quanto pela redução do turismo internacional.
Divisão de moda segue em queda
A principal divisão da companhia, responsável por marcas como Louis Vuitton e Dior, registrou queda de 2% nas vendas orgânicas, marcando o sétimo trimestre consecutivo de retração.
Esse segmento representa cerca de 80% do lucro operacional do grupo, o que amplia a preocupação com a sustentabilidade dos resultados no curto prazo.
Estados Unidos amenizam cenário
Em contraste, os Estados Unidos surgiram como ponto positivo. As vendas cresceram 3% no país, impulsionadas pelo aumento nos gastos com bens de luxo durante o trimestre.
No entanto, indicadores recentes mostram queda na confiança do consumidor americano, o que pode limitar esse crescimento nos próximos meses.
Perspectivas ainda incertas
Apesar do cenário desafiador, a LVMH mantém um tom cautelosamente otimista. Em comunicado, a empresa destacou que permanece “vigilante, embora confiante” diante de um ambiente geopolítico instável.
Analistas ainda projetam 2026 como um possível ano de recuperação para o setor de luxo, após um período prolongado de estagnação. No entanto, a continuidade do conflito no Oriente Médio segue como principal fator de risco para a retomada.





