SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
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Lula ou Flávio? Qualquer um deixará os ativos “altamente” sensíveis ao fiscal, diz economista

Lula ou Flávio? Qualquer um deixará os ativos “altamente” sensíveis ao fiscal, diz economista

Dívida poderá ter trajetória ascendente, saltando de 79% do PIB em 2025 para 93% em 2030, um patamar considerado desconfortável

A perspectiva de que os ativos brasileiros se tornem altamente sensíveis ao cenário fiscal, independentemente de quem vencer as próximas eleições — o atual presidente Lula ou o candidato de oposição Flávio Bolsonaro — é o cenário traçado na análise de William Jackson, economista-chefe para Mercados Emergentes da Capital Economics.

Segundo ele, embora o país provavelmente evite um “descontrole fiscal imediato” em 2026, o risco estrutural continua elevado e tende a manter os mercados em alerta permanente.

Jackson afirma que, no curto prazo, o Brasil deve escapar de um colapso fiscal capaz de desestabilizar o mercado financeiro, permitindo que o ciclo de cortes de juros do Banco Central prossiga.

Ainda assim, o economista alerta que olhar apenas para o período pré-eleitoral é insuficiente, pois o problema central é a ausência de um plano crível de consolidação fiscal de longo prazo. A próxima administração — seja liderada por Lula ou por Flávio — enfrentará a tarefa urgente de reforçar a regra fiscal ou criar uma nova estrutura capaz de estabilizar a trajetória da dívida pública.

Dois cenários e um mais provável

Para ilustrar o desafio, Jackson apresenta dois cenários para a dívida bruta até 2030. No primeiro, chamado de “situação atual”, assume-se uma consolidação modesta — superávit primário de apenas 0,3% do PIB até 2029 — e uma queda relativamente pequena do custo médio da dívida. Nesse caso, a dívida seguiria trajetória ascendente, saltando de 79% do PIB em 2025 para 93% em 2030, um patamar considerado desconfortável para economias emergentes.

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O segundo cenário, de “consolidação fiscal”, pressupõe um esforço mais robusto: superávit primário de 1,5% do PIB e queda adicional dos juros pagos pelo governo. Sob essas condições, a dívida conseguiria se estabilizar em torno de 86% do PIB, ainda elevada, mas menos explosiva. Em ambos os casos, o crescimento projetado permanece moderado, entre 1,5% e 2% ao ano, com inflação convergindo gradualmente para a meta de 3%.

Dívida Bruta do Governo Geral (% do PIB com Cenários Ilustrativos)

Fontes: LSEG, BCB, Capital Economics

Vitória da oposição resolve?

Apesar de reconhecer que uma vitória da oposição aumentaria a probabilidade de um ajuste fiscal duradouro, Jackson lembra que Flávio Bolsonaro carrega a herança política do pai, que iniciou o governo com disciplina fiscal, mas terminou com deterioração significativa das contas públicas. Assim, a Capital Economics conclui que, dada a magnitude do desafio, é mais provável que a dívida brasileira continue subindo nos próximos anos, independentemente do vencedor.

O resultado é direto: os ativos brasileiros permanecerão altamente sensíveis a qualquer ruído fiscal, desde declarações políticas até mudanças na percepção sobre o compromisso com o ajuste. Em um ambiente de dívida crescente e espaço fiscal limitado, cada sinal de afrouxamento será amplificado pelos mercados — e cada evidência de responsabilidade fiscal, valorizada.