O IPCA-15 de março, prévia da inflação calculada pelo IBGE, ficou em 0,69%, um leve recuo em relação a fevereiro, quando o índice tinha sido de 0,76%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 divulgado nesta sexta-feira teve como principal agente de impacto o setor de Transportes, com variação de 1,50% e 0,30 p.p.

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O IPCA-E, acumulado trimestral do IPCA-15, ficou em 2,01%, menor do que os 2,54% registrados no mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, a variação do IPCA-15 foi de 5,36%, abaixo dos 5,63% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2022, a taxa havia sido de 0,95%.
Os dados vêm dois dias depois da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de manter a Selic, taxa básica de juros, em 13,75%, sob a alegação de que a inflação ainda não está totalmente controlada e faltam amostras mais claras de responsabilidade fiscal do governo.
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IPCA-15 de março: impacto da alta de combustíveis
Com exceção de Artigos de residência, cujos preços recuaram 0,18%, todos os demais grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta no mês de março. O destaque foi Transportes, responsável pela maior variação e o maior impacto no índice, após a reoneração da gasolina e do etanol, anunciada pelo governo no fim de fevereiro.
Assim, a gasolina teve o maior impacto individual, com alta de 5,76% e responsável por 0,26 p.p., mais de um terço do IPCA-15 do mês. A subida de preços do etanol (1,96%), que em fevereiro havia tido queda de 1,65%, também contribuiu. Óleo diesel (-4,86%) e gás veicular (-2,62%) registraram queda, diferentemente dos demais combustíveis (4,67%). Outro ponto destacado pelo IBGE foi a alta de 9,02% nos transportes por aplicativo, após recuo de 6,05% no mês passado.
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No grupo Saúde e cuidados pessoais, os perfumes (5,88% e 0,06 p.p.) exerceram a maior influência, em contraponto a fevereiro, quando os preços haviam caído 1,66%. Os itens de higiene pessoal tiveram alta de 2,36% no índice de março, impactados também pelos artigos de maquiagem (3,81%), sabonetes (1,85%) e produtos para cabelo (1,34%). Além disso, o item Plano de saúde (1,20%) continua incorporando as frações mensais dos reajustes dos planos novos e antigos para o ciclo de 2022 a 2023.
Já no grupo Habitação o principal fator para a alta de 0,81% foi a energia elétrica residencial (2,85% e 0,11 p.p.). As variações das áreas ficaram entre -1,13% no Rio de Janeiro, onde houve redução de PIS/Cofins, até 11,66% em Belo Horizonte, onde as tarifas de uso dos sistemas de transmissão (TUST) e distribuição (TUSD) foram reinseridas na base de cálculo do ICMS, o que também ocorreu em Porto Alegre (10,76%), Curitiba (10,42%) e em uma das concessionárias de São Paulo (1,12%).
No Rio de Janeiro, ocorreram reajustes de 7,49% e 6,00% nas duas concessionárias pesquisadas. Ambos entraram em vigor a partir de 15 de março, último dia do período de referência do IPCA-15.
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IPCA-15 de março: inflação de alimentos desacelera
A desaceleração de Alimentação e bebidas tem como razões as quedas mais expressivas nos preços da batata-inglesa (-13,14%) e do tomate (-6,34%). Cebola (-12,13%), óleo de soja (-2,47%), contrafilé (-2,04%) e frango em pedaços (-1,94%) foram outros subitens que também mostraram recuo nos preços. No sentido oposto, os preços do ovo de galinha subiram 8,00% neste mês.
A alimentação fora do domicílio, passou de 0,40% em fevereiro para 0,68% em março, o que pode ser explicado pelas variações superiores às do mês anterior tanto do lanche (1,02%) quanto da refeição (0,50%).
Único grupo a apresentar queda em março, Artigos de residência foi influenciado pela redução de 1,81% dos itens de TV, som e informática, especificamente os televisores (-1,89%) e os computadores pessoais (-1,68%).
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IPCA-15 de março: avanço em todas as regiões
Em relação aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas tiveram alta em março. Porto Alegre e Curitiba foram as cidades com as maiores variações, ambas com 1,13%. Nos dois casos a energia elétrica foi a principal responsável, com variações de 10,76% e 10,42% respectivamente.
Já o menor resultado foi observado em Salvador (0,37%), influenciado pelas quedas de 10,35% nas passagens aéreas e de 9,13% no seguro voluntário de veículo.

O IPCA-15 efere-se a famílias com rendimentos de 1 a 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte, residentes nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
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O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, diz que os números do IPCA-15 de março vieram um pouco menores que a projeção de 0,72%, por causa de uma queda maior que a esperada no iem perfumes, mas que os números não são animadores no médio e longo prazo.
“Quando a gente analisa o núcleo e deixa de lado os preços mais voláteis, como alimentação e combustíveis, percebe que esse índice ainda está forte e não teve a redução esperada. Num cálculo anualizado, ele fica ainda entre 5,5% e 6%, muito acima da meta”, diz, lembrando que a meta do Banco Central é de 3,25% para este ano e 3% a partir de 2024.
Segundo ele, é preciso aguardar mais um pouco para ver se esses índices de núcleo começam a entrar em viés de baixa. “Por ora, as notícias não são boas para o Banco Central e para quem se preocupa com o controle da inflação”, afirma.
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