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Inflação por outra ótica, por Luiz Cesta

Inflação por outra ótica, por Luiz Cesta

A inflação está disseminada e os bancos centrais de praticamente todos os países que contam com esta instituição independente e com metas de inflação, correm para subir juros e estancar a sangria. Mas o que realmente é “inflação”? A resposta mais óbvia seria o aumento de preços dos produtos e serviços. Se pensarmos com maior […]

A inflação está disseminada e os bancos centrais de praticamente todos os países que contam com esta instituição independente e com metas de inflação, correm para subir juros e estancar a sangria.

Mas o que realmente é “inflação”? A resposta mais óbvia seria o aumento de preços dos produtos e serviços.

Se pensarmos com maior profundidade sobre o tema, veremos que o que realmente importa é, na verdade, uma das mais antigas equações econômicas:

Oferta versus Demanda

Não há como negar que essa é a relação mais icônica que o capitalismo já proferiu e também a grande responsável pelos ganhos de eficiência e evolução saudável que o mundo já viu.

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Quando há escassez de um produto, o preço desse bem ou serviço sobe. E o contrário também é verdadeiro.

Quando não há demanda, o preço cai, e vice-versa.

Mas oferta e demanda do quê, exatamente?

O dinheiro também tem seu perfil de oferta e demanda de mercado e é exatamente isso que causa os principais desbalanceamentos de ordem inflacionária.

Se a economia cresce em conjunto com a oferta de moeda, ok. Mas se não houver sincronismo, o caldo entorna.

Quem emite a moeda? Os governos centrais dos países.

Portanto, são os reguladores da oferta. Se ninguém quer o dinheiro emitido por aquele país e a oferta deste “bem” sobe, é natural que seu valor diminua. E essa é a real inflação que ninguém enxerga.

Mais dinheiro na praça, menos demanda por dinheiro. Simples assim.

Os economistas dizem que um dos indicadores da oferta de moeda na praça é exprimido por um agregado monetário chamado de M2. Então, quanto maior o M2, mais dinheiro na praça.

E na imagem abaixo, você percebe claramente que ocorreu nos Estados Unidos uma enxurrada de dinheiro no mercado em face dos problemas advindos da crise do Covid-19.

  1. Agregado Monetário M2 (US$ bilhões)

agregado-monetario-nos-eua-m2
Fonte: TrandingEconomics.com 

Em julho de 2022, o M2 estava em astronômicos US$ 21,7 trilhões, enquanto em 2018 o M2 era menor que R$ 14 trilhões.

E esse despejo de dinheiro foi necessário, com toda razão de ser. Meios de produção foram paralisados e a renda da população caiu absurdamente.

Logo, os governos usaram de suas ferramentas para prover o mercado com dinheiro farto e abundante.

Mas um dia a conta chega. E chegou bem rápido.

Uma inflação rondando a casa dos 8-9% não era vista nos EUA desde 1981, quando o CPI, índice de inflação ao consumidor, subiu 8,92%. Ou seja, mais de 40 anos se passaram desde a última explosão de preços e muitos dos norte-americanos nem eram ainda nascidos.

A boa notícia, se é que podemos tratar dessa maneira, é que a lição de casa está sendo feita. De forma lenta mas sendo feita.

FED está aumentando juros para a casa de 4-4,5% anuais não é mais ficção e lentamente a economia desacelera e o M2 cai.

Note abaixo que o M2 já está caindo desde meados de janeiro/22.

  1. Agregado Monetário M2 (US$ bilhões)
Gráfico, Gráfico de barras

Descrição gerada automaticamente

Fonte: TrandingEconomics.com

Enfim, é só o começo para domar a inflação.

Mas antes tarde começar, do que não começar.

Por Luiz Cesta, sócio e analista da Monett