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Inflação dos mais ricos é o dobro do IPCA, segundo Itaú

Inflação dos mais ricos é o dobro do IPCA, segundo Itaú

Descubra como a inflação dos mais ricos, com por itens de luxo e gastos sensíveis ao câmbio, é o dobro do IPCA, segundo o indicador do Itaú.

O impacto do dólar na economia brasileira é evidente, afetando produtos e insumos importados, desde eletrônicos até alimentos. No entanto, um novo indicador do Itaú revela que a inflação dos mais ricos é ainda mais sensível às oscilações cambiais, chegando a ser o dobro do IPCA em determinados períodos.

Um exemplo disso ocorreu em 2024, quando o dólar disparou 27% frente ao real. Segundo o IPC Private, o índice de inflação para famílias de alta renda variou 10% no ano, mais que o dobro do IPCA, que fechou 2024 com alta de 4,83%.

Outro caso foi em 2015, quando o dólar subiu 48% no acumulado do ano. O IPC Private saltou 18%, enquanto o IPCA ficou em 10,7%. Já em anos de valorização do real, como quando o dólar caiu 17,7%, o IPC Private registrou uma inflação mais moderada, de 2,3%, contra 6,3% do índice oficial.

A diferença entre os dois índices é explicada pela composição do IPC Private, que considera despesas típicas de alta renda, como viagens internacionais, motoristas, educação no exterior e imóveis de luxo. Segundo economistas do Itaú Private Bank, o IPCA, que mede a inflação para famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários mínimos, de R$ 1.412 a R$ 56.480, não reflete adequadamente os hábitos de consumo das famílias com renda mensal acima de R$ 40 mil.

“O IPCA não inclui itens como viagens internacionais, educação fora do país e dá baixo peso para bens de luxo, como vinhos, que são muito mais relevantes na cesta de consumo da alta renda”, explicaram Gina Baccelli, economista-chefe do Itaú, e sua equipe em artigo publicado.

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Itens de luxo, como hospedagens e serviços de restaurantes, tiveram aumentos expressivos no Brasil e no exterior, ampliando a discrepância entre a inflação convencional e a dos mais ricos. Segundo especialistas, a ausência de um índice que mensure especificamente bens e serviços de luxo motivou o Itaú a criar sua própria cesta de consumo, que também considera gastos como segunda residência e motoristas internacionais.

O IPC Private mostrou diferenças marcantes em relação ao IPCA e ao indicador do Ipea, que analisa a inflação por faixas de renda. Por exemplo, alimentação representa 21% do IPCA, mas apenas 10% no IPC Private. Já despesas pessoais, como hospedagens pagas em dólar, têm um peso superior a 25% no IPC Private, contra 10% no IPCA.

Embora algumas famílias de alta renda possuam contas em moedas estrangeiras, o IPC Private busca refletir o custo de vida em reais, considerando a percepção dessas famílias de que seu poder de compra está atrelado ao câmbio. O Itaú Private Bank planeja aprimorar o indicador nas próximas divulgações, utilizando mais fontes de dados para refinar a análise.

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