O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros inalterada na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, interrompendo um ciclo de três cortes consecutivos. A decisão veio em linha com as expectativas do mercado financeiro e foi tomada após dois dias de reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc).
Apesar do consenso majoritário, a votação não foi unânime. Dois dirigentes — Christopher Waller, frequentemente citado como possível sucessor do atual presidente Jerome Powell, e Stephen Miran — votaram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual, mostrando que ainda há divergências internas sobre o ritmo da política monetária.
Tom mais duro e foco na inflação
No comunicado, o Fed adotou um tom considerado mais duro (hawkish), reconhecendo que a atividade econômica se expande de forma sólida e que o mercado de trabalho se estabilizou. A autoridade monetária também reiterou preocupação com a inflação, que continua acima da meta de 2%.
Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, destacou que o Fed “reconheceu o avanço da atividade, a estabilização do mercado de trabalho e manifestou incomodo com a inflação elevada”. Para Sanchez, isso afasta a perspectiva de cortes já na próxima reunião.
Projeções reforçam cenário de “juros mais altos por mais tempo”
O dot plot divulgado pelo Fed mostrou expectativas mais hawkish do que o mercado antecipava, com taxa mediana projetada de 3,25% ao fim de 2026. William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, observou que a decisão e as projeções reforçam o cenário de juros mantidos por mais tempo, refletido na alta dos rendimentos dos Treasuries e no achatamento da curva de juros.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, destacou a divisão interna do Fed: “A votação não unânime expõe a dificuldade de conciliar a visão majoritária de soft landing com a preocupação de uma minoria com riscos inflacionários persistentes”.
Sucessão de Powell adiciona componente político
O debate interno também é influenciado pelo contexto político e pela iminente sucessão de Jerome Powell. A presença de dissidentes com visão mais favorável a cortes, como Waller e Miran, aumenta a atenção sobre a independência da autoridade monetária, especialmente em um ambiente de tensão política.
Apesar da manutenção da taxa, a decisão deixa claro que o Fed seguirá dependente dos dados econômicos e cauteloso quanto a cortes futuros, equilibrando crescimento sólido, inflação persistente e pressões políticas.






