O minério de ferro encerrou em alta nesta segunda-feira (19), com valorização de 1,26% no mercado futuro de Dalian, na China, cotado a 682,50 yuans por tonelada, equivalente a US$ 102,90. O movimento ocorre em meio à divulgação de indicadores econômicos chineses que apontaram aceleração do crescimento no terceiro trimestre e melhora nas vendas do varejo.
A economia chinesa cresceu 4,5% no terceiro trimestre na comparação anual, em linha com as expectativas do mercado e acima da expansão de 4,3% registrada no trimestre anterior. O resultado também superou a previsão de 4,4% dos economistas consultados pela Reuters.
A China é um dos principais consumidores mundiais de minério de ferro, matéria-prima essencial para a produção de aço. Por isso, os indicadores de atividade econômica do país são acompanhados de perto pelo mercado, já que ajudam a avaliar as perspectivas para a demanda por commodities metálicas.
Produção industrial e varejo apresentam melhora
Os dados divulgados também mostraram avanço da produção industrial chinesa, que passou de 5,2% em agosto para 5,5% em setembro, na comparação anual, em linha com as expectativas dos analistas.
As vendas no varejo cresceram 1,1% em setembro, acima da projeção de alta de 0,6% e do avanço de 0,4% registrado em agosto. O resultado sinaliza uma melhora no consumo, embora a demanda doméstica continue sendo um dos pontos de atenção para a economia do país.
Segundo Tianchen Xu, economista sênior da Economist Intelligence Unit, a recuperação observada em setembro compensou o desempenho mais fraco de julho e agosto. O economista atribuiu a melhora ao avanço dos investimentos governamentais, à força do setor externo e a uma base de comparação favorável.
O superávit comercial mensal da China alcançou um recorde de US$ 133,5 bilhões, reforçando a contribuição das exportações para a atividade econômica.
Crise imobiliária continua pressionando a economia
Apesar dos sinais de recuperação, a economia chinesa ainda enfrenta desafios relacionados à crise do setor imobiliário e à cautela das famílias e dos investidores privados.
Nos primeiros nove meses do ano, o investimento em ativos fixos nas áreas urbanas caiu 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O investimento em desenvolvimento imobiliário apresentou retração ainda mais acentuada, de 20,6% entre janeiro e setembro, aprofundando a queda de 19,9% registrada nos primeiros oito meses.
A taxa de desemprego urbano ficou em 5,2% em setembro.
O desempenho evidencia a dependência da economia chinesa da atividade industrial e da demanda externa, especialmente em um cenário de consumo doméstico ainda moderado e de dificuldades persistentes no mercado imobiliário.
Perspectivas
A evolução da economia chinesa permanece entre os principais fatores de influência sobre as cotações do minério de ferro. Uma atividade industrial mais forte pode favorecer a demanda por aço e, consequentemente, pela matéria-prima utilizada em sua fabricação.
Por outro lado, a continuidade da retração imobiliária representa um risco para o consumo de aço no país e pode limitar a sustentação dos preços da commodity.
O crescimento econômico médio da China nos primeiros nove meses ficou em 4,6%, em linha com a meta oficial de Pequim, situada entre 4,5% e 5%.
Para o quarto trimestre, a expectativa é de continuidade do apoio proporcionado pelas exportações e pelos investimentos governamentais. Segundo Xu, o crescimento anual pode alcançar 4,7%, embora o cenário continue condicionado à evolução da demanda interna e à situação do setor imobiliário.
Nesse contexto, a alta de 1,26% do minério de ferro em Dalian reflete um mercado atento aos sinais de recuperação econômica chinesa, mas ainda sujeito às incertezas sobre a força e a sustentabilidade da demanda por aço.
Leia também:






