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Como o Fed irá entender o Relatório de Emprego de fevereiro?

Como o Fed irá entender o Relatório de Emprego de fevereiro?

Empregos não-agrícolas caem 92 mil em fevereiro, maior recuo do emprego privado desde dezembro de 2020

Se o Federal Reserve esperava encontrar estabilidade no mercado de trabalho americano. O relatório de emprego de fevereiro entregou o oposto. Com a guerra entre EUA e Irã já pesando sobre os preços do petróleo e a inflação no radar, o banco central americano se vê diante de um cenário cada vez mais desconfortável — e o Wells Fargo mantém sua projeção de 50 pontos-base de corte nos juros ao longo do ano, com o Fed em modo de espera.

Os números de fevereiro surpreenderam negativamente.

Os empregos não-agrícolas caíram 92 mil vagas — movimento que veio acompanhado de revisões para baixo em janeiro (-4 mil) e dezembro (-65 mil).

“A média de criação de vagas nos últimos três meses caiu para apenas 6 mil em fevereiro, contra 73 mil antes deste relatório”, aponta o Wells Fargo. O resultado representa o maior recuo do emprego privado desde dezembro de 2020.

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Por dentro do relatório

Há fatores pontuais na equação. Cerca de 31 mil enfermeiros e profissionais de saúde estavam em greve em fevereiro, derrubando o setor que havia sido o principal motor de contratações nos últimos meses. Tempestades de inverno consecutivas também restringiram contratações em construção e hotelaria. Com a greve já encerrada, o banco projeta recuperação do setor em março.

Mas os fatores temporários não explicam tudo.

“A taxa de desemprego subiu de 4,3% em janeiro para 4,44% em fevereiro, quase retornando ao pico do ciclo de 4,5% registrado em novembro”, destaca o banco. A tendência de alta gradual indica que a erosão do mercado de trabalho é real — não apenas estatística.

O contexto geopolítico complica ainda mais o quadro.

“O Federal Reserve não pode fazer muito para combater a inflação mais alta decorrente de um choque de oferta no petróleo pelo lado da oferta”, avalia o Wells Fargo. Ao mesmo tempo, a pressão inflacionária vinda do conflito no Irã “torna mais difícil ser dovish no momento”, mesmo diante de dados de emprego fracos.

“Esperamos que o FOMC permaneça em modo de espera, e nossa projeção de 50 pontos-base de corte de juros este ano permanece inalterada”, conclui o banco — equilíbrio delicado entre fraqueza econômica e pressão inflacionária que deve marcar os próximos meses.