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Comércio exterior: Brasil negocia menos produtos a valores maiores

Comércio exterior: Brasil negocia menos produtos a valores maiores

O comércio exterior brasileiro teve maior arrecadação na balança comercial de abril, mas com menos volume de negócios, devido à alta de preços.

O aumento de preços no mercado internacional fez aumentar os valores de importação e exportação negociados pelo comércio exterior do Brasil em abril, em relação ao mesmo mês em 2021, ainda que o volume de produtos comercializados tenha caído.

Entre os meses de abril de 2021 e 2022, as exportações cresceram, em valor, 10,7% e as importações, 29%. A maior variação no valor importado é explicada pelo aumento dos preços (35,4%), pois o volume caiu 5%. Nas exportações, os preços aumentaram 21,1% e o volume recuou 9%.

Os números foram analisados pela Fundação Getúlio Vargas no relatório Icomex (Indicador de Comércio Exterior), divulgado nesta quarta-feira (18).

Guerra e covid ainda afetam o comércio exterior

Os principais motivos para a alta de preços no comércio exterior, que aumenta a pressão inflacionária em todo o mundo, vem de dois fatores:

  • a guerra entre Rússia e Ucrânia, sem nenhuma previsão de resolução e com novas tensões no cenário geopolítico provocadas pelo desejo de Suécia e Finlândia de aderir à Otan;
  • a retomada de lockdowns pela China, apesar das ressalvas da OMS, para combater o mais recente surto de covid-19 causado pela variante Ômicron, para a qual as vacinas distribuídas no país têm menor eficácia.

Os dois fatores intensificaram os gargalos que ainda não tinham sido superados nas cadeias de suprimento globais, levando a novas pressões inflacionárias.

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Cenário reverte baixa do início da pandemia

O relatório lembra que, após uma queda de preços provocada pela recessão global causada pela pandemia, os preços iniciaram uma escalada de aumentos no início de 2021, impulsionados pela recuperação da demanda mundial.

Para o Brasil, o aumento do PIB da China em 8,1%, puxando a demanda por commodities, levou a uma trajetória de variações crescentes internanuais mensais, com os preços de exportações crescendo acima dos preços dos importados. Esse comportamento muda a partir do final de 2021, quando as as variações nos preços importados superam as das exportações.

Comércio exterior: Brasil teve mais vendas em menos volume devido a aumento do s preços no mercado internacional, segundo Icomex

O comportamento inverso é observado em relação ao volume, já que as variações das importações superam as das exportações até o fim de 2021. Destaca-se a desaceleração da variação do volume importado desde setembro de 2021, o que seria explicado pela desvalorização cambial, mas também pelo menor crescimento do nível de atividade da economia brasileira. No caso das exportações, o comportamento tem um caráter sazonal associado com as commodities.

Desde o fim de 2021, os preços de importações superam os das exportações, tanto na série das commodities como na das não commodities. Ressalta-se, porém, que o preço das exportações das não commodities não mostra uma tendência de desaceleração como o das commodities.

Preocupações de longo prazo

O estudo observa ainda que a disparada dos preços de bens intermediários da agropecuária é anterior ao choque de oferta causado pela Russia na área de fertilizantes. Nesse caso, com a guerra na Ucrânia, essa é uma situação que deva perdurar pelos próximos meses.

O fato novo para esse cenário, entretanto, é a perspectiva que o lockdown na China leve a uma desaceleração do crescimento do país, que pode contribuir para a queda nos preços.

No entanto, o estrangulamento na oferta das cadeias de suprimento e nos canais de logística sugerem que esse resultado não deverá ser imediato e deverá ser pouco relevante para os resultados de 2022. Fica, porém, o efeito de redução da demanda para as commodities, que acompanham o nível de atividade econômica do país, como o minério de ferro. Para as exportações brasileiras não seria uma boa notícia.

Menor participação da China no comércio exterior brasileiro

Os dados acumulados no ano até abril mostram que as exportações chinesas cresceram 6,6% e a participação nas exportações totais do Brasil caiu de 33,5% pra 28,7%, entre o acumulado de 2021 e 2022.

As exportações de minério de ferro (3º principal produto de exportação brasileira para o país) recuaram 32,6%, mas houve um crescimento de 88,3% para a carne bovina. O superávit comercial com a China caiu de US$ 13,4 bilhões para US$ 10,4 bilhões, enquanto o do Brasil aumentou de US$ 18 bilhões para US$ 20,2 bilhões, na comparação do 1º quadrimestre de 2021 com o de 2022.

Desta forma, o saldo com a China chegou a 52% do superávit comercial. Mesmo com a retração do crescimento chinês, o país deverá manter a sua posição de liderança no comércio exterior brasileiro.

O desempenho das exportações, em termos de volume, mostra recuo para as vendas na China e aumento para todos os outros mercados analisados. Entre os meses de abril, o volume exportado para a China caiu 22,4%, em relação a abril de 2021. Para os Estados Unidos cresceu 3%, para a União Europeia recuou 0,2%, e para a Argentina cresceu 15,3%.

Comércio exterior: Brasil teve mais vendas em menos volume devido a aumento do s preços no mercado internacional, segundo Icomex

Dados ICOMEX por atividade setorial

As exportações de commodities registraram queda de 13,8%, no volume exportado, e as de não commodities cresceram 1,6%, na comparação interanual do mês de abril entre 2021 e 2022. O preço das commodities aumentou em 22,2% e o das não commodities em 20,8%. Foi a redução nas vendas de commodities que explicou, portanto, a queda nas exportações, em abril.

Na comparação do acumulado do ano até abril, todas as variações são positivas. Observa-se que as vendas de não commodities superaram, em volume, as das commodities e os preços das commodities os das não commodities.

Em termos de volume, as importações de commodities caíram 6,1% e as das não commodities, 5,1%, entre abril de 2021 e 2022. Os preços, no entanto, registraram altas de 82,9% (commodities) e 30,8% (não commmodities). Na comparação entre os primeiros quadrimestres do ano, o volume importado das commodities cresceu (10,9%) e das não commodities recuou (4,6%). A variação nos preços das commodities foi de 61,3% e das não commodities, de 29,5%. O principal canal da influência externa sobre os preços se dá, portanto, via preços das importações de commodities.

Petróleo tem forte alta

Os preços das exportações e importações de petróleo e derivados foram fortemente afetados, com alta de 54,8% e 73,0% nas exportações e importações, respectivamente, entre os acumulados do ano até abril. Entre os meses de abril de 2021 e 2022, caíram os volumes exportado (24,2%) e importado (9,7%), mas os preços continuam em alta: exportações (46,4%) e o das importações (98,4%).

Na comparação interanual do mês de abril, o volume exportado da agropecuária caiu 26,6%, da extrativa, 15,4%, e o da transformação aumentou em 4,2%. Nas importações, apenas a agropecuária registrou variação positiva, de 6,8%. No caso dos preços exportados houve aumento de 46,7% para a agropecuária e nas importações, a lideranca é da extrativa, com variação de 157,4%.

O comportamento na comparação dos quadrimestres é similar. A indústria extrativa liderou o aumento de preços (118,2%) das importações e a agropecuária, o das exportações (38,1). Em termos de volume exportado, o melhor desempenho foi da indústria de transformação, seguida da agropecuária. A indústria extrativa registrou queda.

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