O Banco Central do Brasil (BC) busca reduzir a inflação de maneira suave, disse o presidente Roberto Campos Neto nesta quarta-feira (5).
A fala do executivo está relacionada à Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 13,75% ao ano.
O patamar elevado da taxa tem gerado uma indisposição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e sua equipe de governo, com os dirigentes do BC.
Isso porque a autoridade monetária se utiliza da taxa de juros em patamar elevado para, desta forma, segurar e até reduzir a inflação no Brasil, atualmente em 5,87% no acumulado de 12 meses, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Na prática, o Poder Executivo faz pressão para que o BC comece a reduzir a taxa de juros para, assim, baratear o custo do crédito à população. Pela mesma razão, alguns empresários já se manifestaram contra o viés de alta da taxa de juros.
Dentre os empreendedores, destaque para Rubens Menin, proprietário da Construtora MRV (MRVE3), cujas principais obras estão atreladas ao Minha Casa Minha Vida (MCMV), que toma linha de crédito diferenciado para contemplar uma classe com pouco menos renda.
De igual modo, a chairman Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza (MGLU3), se coloca contra a taxa de juros alta. A varejista também depende do crédito barato para tornar seus produtos e serviços mais acessíveis a uma camada da população que tem menos renda.

Campos Neto: inflação
Já o presidente Campos Neto justificou, hoje, o nível da taxa de juros afirmando que, assim, a inflação tende a causar menos danos à economia brasileira.
Ele disse que se a instituição não tivesse elevado a taxa em 2022, no ano eleitoral, a inflação acumulada estaria acima de 12%, como em alguns países vizinhos, e não nos atuais 5,6%. Nesse cenário, afirmou, seria necessário jogar o país em uma recessão para controlar os preços.
“Nenhum banco central quer ter juros altos. A gente quer cair os juros. É óbvio que a gente quer trabalhar com juros baixos, mas a gente tem de olhar o que é sustentável para a frente”, afirmou.
“O custo de combater a inflação é muito alto e é sentido muito a curto prazo. O custo de não combater a inflação é muito mais alto e é muito mais nocivo e perene”, disse. “A gente tenta suavizar o máximo possível, fazer isso da forma que cause o mínimo de dano possível na economia.”
Arcabouço fiscal
Em relação ao arcabouço fiscal, que já havia sido anteriormente elogiado por ele, disse que este mecanismo afasta risco de explosão da dívida, mas não garante queda de juro.
Também disse que o recurso que visa substituir o teto de gastos elimina o risco de que a dívida pública possa seguir uma trajetória mais explosiva.
E acrescentou que as regras apresentadas não garantem uma queda imediata da taxa básica de juros.
“Não existe relação mecânica entre o fiscal e taxa de juros na forma como é colocada. O importante para a gente é atuar dentro do sistema de metas. Nós temos uma meta de inflação e olhamos as expectativas. O mais importante é como as medidas que estão sendo anunciadas afetam o canal das expectativas”, frisou.
Receitas de governo
O presidente do BC também disse que há uma certa ansiedade dos agentes econômicos em relação à necessidade de aumento de receitas para garantir resultados positivos nas contas públicas e reduzir a dívida, e que é necessário observar como vai tramitar no Congresso.
Ele também vê uma ansiedade em relação à despesa obrigatória, mas disse considerar injusto que se cobre do governo cortes relevantes nesses gastos —que incluem Previdência, funcionalismo e seguro desemprego, por exemplo.
“Acho que isso deveria ser cobrado com alguma parcimônia, porque, fazendo uma análise mais profunda do passado, é bastante difícil cortar despesa obrigatória, principalmente quando a gente pensa em cortes estruturais. A gente teve alguns cortes conjunturais, mas que acabaram retornando.”
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