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André Esteves, do BTG Pactual, defende queda de juros

André Esteves, do BTG Pactual, defende queda de juros

Chairman do banco afirma que o BC está consciente da necessidade de reduzir a Selic e também elogiou projeto do novo arcabouço fiscal.

O empresário André Esteves, chairman e sócio sênior do banco BTG Pactual, afirmou nesta quarta-feira (12), no evento BTG Together,  que vê margem para a queda de juros no Brasil e uma consequente expansão do crédito.  A fala de André Esteves no BTG Together fez parte da abertura do evento, 100% online e gratuito, realizado pelo banco BTG Pactual com o objetivo ensinar empreendedores a ampliar conexões para expandir os negócios.

“Estou no grupo que acha que o aperto de crédito está acima daquilo esperado pelo natural desenvolvimento da política monetária apertada”, explicou Esteves. Sem críticas diretas ao BC, ele disse que enxerga de forma natural a pressão do mercado para que a Selic caia dos atuais 13,75%. “A gente talvez viva um pouquinho mais de ansiedade, mas isso traz mais para perto a eventual queda de juros, que deve acontecer ao longo do segundo semestre deste ano”, emendou o empresário.

Ele disse que, se estivesse no lugar dos membros do Copom, que decide a taxa de juros, conseguiria naturalmente “antecipar a queda de juros de uma maneira saudável”. “Acho que o BC está adotando esse segundo caminho que também é tecnicamente válido e também é tecnicamente correto”, afirmou Esteves. “O BC me parece não ter dúvida sobre esse diagnóstico.”

O sócio sênior do BTG Pactual apontou que a crise nas Americanas, que revelou inconsistências fiscais de R$ 20 bilhões em seus balanços, aconteceu já com a Selic no patamar atual. “Isso criou uma natural restrição no mercado de capitais. O crédito não está sendo restringido dentro do balanço dos bancos. Ele continua se expandindo, os bancos estão preparados para isso, só que não estão preparados para absorver tudo aquilo que vinha sendo feito pelo mercado de capitais. Alguma coisa ficou de fora, e portanto, isso está criando algum aperto adicional à natural consequência ao crédito de uma política monetária apertada”, explicou.

Para ele, é mais fácil que a queda dos juros aconteça no Brasil do que nos Estados Unidos. Nos dois países, os comitês de política monetária se reúnem nos dias 2 e 3 de maio. ““A turma acha que o Fed vai cortar os juros no mês que vem ou daqui a duas ou três reuniões, acho que isso não vai acontece. É mais fácil cair no Brasil do que lá.”

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André Esteves no BTG Together: visão sobre o arcabouço fiscal

Questionado sobre o novo arcabouço fiscal, André Esteves afirmou ter apreciado a proposta do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, “É uma proposta que cabe dentro dos nossos orçamentos, talvez com um resultado fiscal para esse ano melhor do que o mercado espera, Por si só, tem um objetivo e a consequência de tirar um risco de cauda de o Brasil andar na direção da Argentina ou coisa parecida”, acrescentou o executivo.

Esteves disse que o mais importante sobre o arcabouço é o fato de a medida ter contado com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É uma rearrumação em uma direção mais esperada pelos mercados, Esse apoio explícito do presidente, de dar o sinal verde para o lançamento, e de uma maneira mais explícita, na reunião dos ministros, elogiar o ministro Haddad, eu gostei muito, e eu acho que, na verdade, é o que está por trás das melhoras do mercado”, afirmou.

O chairman do BTG destacou ainda a capacidade de Haddad e de sua equipe de “saber ouvir, o que é uma enorme qualidade”, e afirmou que acha aceitável se houver uma mudança na meta de inflação, de 3,25% em 2023 e de 3% para os próximos dois anos.”Nós, do mercado, passamos a reprecificar 4%, e uma transição do ambiente atual para a nossa meta de 3% acho que também é tecnicamente aceitável e diria até bem-vindo”, disse Esteves.

Segundo ele, a “cacofonia de início de governo” é um dos fatores que dificulta a queda da inflação; a outra é o cenário global de pressão inflacionária. “Com isso, 4% é mais correto do que 3%, pelo menos para o curto prazo”, concluiu.

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