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A Selic virou uma “tartaruga gigante”: por que os juros travam tudo

A Selic virou uma “tartaruga gigante”: por que os juros travam tudo

País arrecada cada vez mais, mas gasta ainda mais rápido — e empurra juros e investidores para o limite, mostra CEO da EQI Investimentos

Com juros entre os mais altos do mundo e uma dívida pública que não dá sinais de estabilização, o País vive um ciclo perigoso que compromete investimentos, emprego e crescimento. Este é o tema do mais mais recente vídeo (assista abaixo) do CEO da EQI Investimentos, Juliano Custódio, que faz um diagnóstico contundente sobre o atual cenário econômico brasileiro.

“2025 terminou e o Brasil segue entre os países com os maiores juros do mundo. Parabéns aos envolvidos. É tetra”, ironiza o executivo.

Custódio explica que a Selic funciona como o eixo central de toda a economia. Ela define o custo do dinheiro tanto para o governo quanto para empresas e consumidores. “A taxa básica de juros é a taxa que o governo paga para tomar emprestado o dinheiro que ele mesmo fabricou”, afirma.

Como consequência, qualquer investimento privado precisa render muito acima dessa taxa para ser viável — algo cada vez mais difícil em um ambiente de custos elevados, margens comprimidas e risco crescente.

Juros destroem as margens

O impacto mais visível está na atividade produtiva. Setores intensivos em financiamento, como construção civil, enfrentam um cenário hostil. Segundo o CEO, hoje uma construtora pode tomar crédito à taxa equivalente a CDI mais 3% ou 4%, chegando a 18% ou 19% ao ano. Isso destrói margens e inviabiliza projetos, enquanto consumidores também desistem de financiar imóveis diante dos juros elevados.

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A raiz do problema, segundo Custódio, está no desequilíbrio fiscal persistente. O governo arrecada muito, mas gasta mais do que recebe, ampliando continuamente sua necessidade de financiamento.

“O governo sempre vai ter a capacidade de te pagar na moeda que ele mesmo emite, mas isso vem com a maldição de causar inflação”, alerta ele. Quanto maior o endividamento e menor a confiança na gestão fiscal, maior o prêmio exigido pelos credores — e mais os juros sobem.

Custódio conclui com um alerta direto: quem não enxerga o problema contribui para agravar a situação. “Se você ainda acha que tudo isso é mimimi de empresário, me desculpe, mas você é que não tá querendo enxergar a realidade dos fatos”, afirma.