Educação Financeira
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Derivativos: entenda o que são, como funcionam e quando utilizar

Derivativos: entenda o que são, como funcionam e quando utilizar

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

30 Jun 2021 às 13:20 · Última atualização: 15 Ago 2022 · 14 min leitura

Redação EuQueroInvestir

30 Jun 2021 às 13:20 · 14 min leitura
Última atualização: 15 Ago 2022

três ações do Ibovespa

Os derivativos servem para proteger o patrimônio e, também, podem proporcionar boa rentabilidade para a carteira. A seguir, entenda o que são e como funcionam esses importantes instrumentos financeiros!

O que são derivativos?

Como o nome sugere, os derivativos são contratos financeiros cujos preços derivam do valor de um bem ou de outro instrumento financeiro.

Na prática, esses contratos utilizam algum ativo como referência, também chamado de “ativo-objeto”. Isso significa que o valor do derivativo acompanha a oscilação do ativo ao qual está vinculado.

Um contrato de derivativos é sempre realizado entre duas partes. Na negociação, ambas se comprometem a negociar determinado ativo em uma data futura por um preço pré-estabelecido. Um exemplo disso são os contratos futuros, nos quais se negocia um ativo com vencimento no futuro. Nesse caso, aposta-se na oscilação do valor do ativo, e é isso o que gera rentabilidade para as operações de derivativos.

Como funcionam esses contratos?

De forma simplificada, uma das partes vende o risco que acredita que o ativo-objeto tenha. Por sua vez, quem compra esse risco tem a expectativa de ganho financeiro com ele quando o contrato chegar no vencimento.

Um exemplo ajuda a entender melhor como funcionam os derivativos na prática.

Imagine que um produtor de café tenha começado a trabalhar no plantio da safra. Por sua vez, a safra só acontecerá daqui a alguns meses, porém há custos com a compra dos grãos e o com preparo da terra que precisam ser pagos no início da plantação. O produtor já está gastando antecipadamente, mas não sabe quanto estará valendo o café quanto tiver que entregar as sacas do produto. Ou seja, ele está tendo despesas mas não tem nenhuma previsibilidade em relação às suas receitas.

Suponha que hoje, enquanto o produtor está plantando o café, a saca esteja sendo negociada a R$ 100. Para garantir que não vá receber um valor abaixo desses 100, o produtor pode negociar um derivativo, chamado de contrato futuro.

Isso dará a certeza de que ele não receberá menos de R$ 100 quando tiver que entregar a mercadoria, independentemente do preço que estiver o café na data. Nesse exemplo, o valor do contrato deriva do preço do café. Porém, os contratos de derivativos podem ter vários objetos além das commodities, como moedas ou índices financeiros, por exemplo.

Funções dos derivativos

Há três funções básicas para os contratos de derivativos: hedge, especulação e arbitragem. A seguir, entenda como funcionam cada uma delas.

Hedge

Traduzido literalmente do inglês, hedge significa “cerca” e é o termo utilizado no mercado financeiro para operações de proteção patrimonial.

O exemplo do produtor de café é uma das formas de utilização de derivativos para fins de hedge. Quando fechou o contrato futuro, o produtor conseguiu garantir que não receberia menos pelo café do que ele vale atualmente no mercado. Ou seja, esse instrumento de hedge proporcionou previsibilidade às suas receitas e evitou uma possível perda caso o café se desvalorize até o vencimento da operação.

Além de proteger os ativos da desvalorização, o hedge também pode ser feito para impedir que uma dívida fique mais cara. Vejamos outro exemplo.

Imagine agora que um importador tenha comprado uma máquina dos Estados Unidos por US$ 50 mil. Quando realizou a compra, o dólar estava cotado a R$ 5,00. Ou seja, a sua dívida no dia da compra da máquina é de R$ 250 mil.

Conforme negociação com o fornecedor, o pagamento deverá ser feito em 60 dias após a compra. No entanto, tudo pode acontecer com o dólar nesse período. Pode ser que a moeda estrangeira caia e, dessa forma, a dívida ficaria mais barata. Porém, também é possível que, em 60 dias, o dólar dispare, e, dependendo da alta, isso poderá ocasionar um grande prejuízo ao importador.

Para se proteger das oscilações do câmbio, o importador pode comprar contratos futuros de dólar. Dessa forma, ele garante a cotação da moeda e evita surpresas na hora do pagamento ao fornecedor.

O hedge é um importante instrumento de proteção patrimonial. Saiba mais sobre o assunto no artigo abaixo.

Especulação

A especulação ocorre quando uma das partes assume o risco da variação de preços do ativo para tentar ganhar com isso. Voltando ao exemplo do café, o produtor que vendeu o contrato futuro fez isso para proteger o preço da sua mercadoria da desvalorização. Ou seja, a sua intenção era simplesmente fazer o hedge para não ter perdas caso o café se desvalorizasse.

Por outro lado, a parte que comprou o risco do produtor é o especulador, pois o seu objetivo é somente lucrar com a operação. No entanto, é importante lembrar que, assim como pode lucrar, o especulador pode apurar prejuízos. Tudo dependerá da forma como o mercado se movimentará até o final da operação.

Os derivativos para especulação são muito utilizados pelos day traders. Nesse caso, existem diversos contratos para os quais não é necessário todo o valor da operação. Em vez disso, o investidor só deposita uma margem de garantia e, no final do dia, recebe (ou paga) o ajuste da operação.

Na prática, isso se chama operar alavancado. Saiba mais sobre alavancagem financeira neste artigo.

Arbitragem

De certa forma, a arbitragem assemelha-se à especulação, pois nela o objetivo também é lucrar com a diferença de preços. A diferença é que, nesse caso, o investidor compra um ativo em um mercado onde ele está mais barato e o vende em outro mais caro.

Nesse sentido, a arbitragem mais comum é a que joga com a oscilação de preços do mesmo ativo no mercado à vista e no mercado futuro. Para entender como isso funciona, vamos usar novamente o exemplo da negociação do café.

Atualmente, a saca do café vale R$ 100. Porém, um investidor descobriu que ela sendo negociada a R$ 120 no mercado futuro para seis meses. Nesse caso, como a sua intenção é arbitrar, ele comprará o café hoje a R$ 100 e venderá daqui a seis meses por R$ 120. Assim, terá lucrado R$ 20 por saca do produto. comprará o ativo e o guardará por seis meses. Dessa forma, quando for vender, lucrará R$ 10 por cada saca.

É assim que acontece a arbitragem no mercado futuro. Essa é mais uma das funções dos contratos de derivativos.

Vantagens e desvantagens dos derivativos

Quando começaram a ser utilizados, o objetivo dos derivativos era somente proteger o patrimônio contra os riscos das oscilações de preços. Dessa forma, tanto vendedores quanto compradores poderiam programar os seus resultados e desembolsos com mais previsibilidade.

Depois disso, a utilização dos derivativos passou a contemplar também as taxas de juros e o câmbio. Como exemplo, temos os contratos cheios e minicontratos de índice e dólar, negociados na bolsa de valores.

Atualmente, além do hedge, cada vez mais investidores utilizam derivativos na especulação e arbitragem, para obter ganhos financeiros. Sem dúvida, essas operações têm a vantagem de rentabilizar o patrimônio, especialmente quando há alavancagem.

No entanto, é muito importante conhecer bem esses instrumentos e ter uma estratégia bem definida para utilizá-los de forma adequada. Caso contrário, podem levar a perdas financeiras expressivas, muitas vezes superiores ao valor investido (no caso de alavancagem).

Quais os tipos de derivativos?

Existem alguns tipos de derivativos negociados na bolsa de valores:

  • Mercado futuro; 
  • Mercado a termo; 
  • Mercado de opções; 
  • Swaps. 

Mercado futuro

O mercado futuro é formado por um conjunto de ativos ou contratos derivativos, que negociam a compra e venda de produtos para liquidação futura. 

É utilizado com uma estratégia de hedge, pois oferece segurança frente às oscilações de preços e demandas do mercado. 

Um exemplo disso é que o mercado futuro é bastante utilizado para commodities agrícolas. No entanto, não se restringe a isso, sendo possível, também, negociar índices e moedas, por exemplo.

Como funciona o mercado futuro

É estabelecido um preço especulativo para comprar ou vender um determinado produto em uma data no futuro. Os prazos são longos.  

Ao chegar no vencimento, é recebido os rendimentos (se houver) da diferença desses preços.

O ajuste dos preços são diários, conforme a variação da cotação. Dependendo da estratégia adotada, o investidor assume uma posição comprada, para ganhar na alta, ou vendida, para obter lucros na queda. 

Portanto, quem está comprando irá lucrar caso os preços dos produtos negociados subam e quem está na posição de vendido irá lucrar em uma situação de queda do preço destes mesmos produtos.

Importância do mercado futuro

Os contratos de mercados futuros protegem empresas e investidores das oscilações de preço e da demanda para produtos como commodities, índices, dólar, entre outros.

Dependendo dos resultados diários do período entre a negociação do contrato e seu vencimento, é possível obter lucro ou prejuízo na operação. 

Tipo de contratos dos mercados futuros

As transações são negociadas para diversos produtos e podem variar de acordo com cada especificidades. 

Veja quais são os principais produtos negociados com contratos de mercado futuro:

Boi gordo

Sendo uma commodity, o contrato para negociação de boi gordo (BGI) exige o mínimo de 330 arrobas de carne, cerca de 4 950 kg. O vencimento dos contratos de boi gordo acontecem sempre ao final de cada mês, no último dia útil.

Café Arábica

Para negociar um contrato de café arábica, o mínimo equivale a 6 toneladas, 100 sacas de 60 kg cada. Para este produto, os preços são apresentados em dólar. 

Seu vencimento acontece somente nos meses de março, maio, julho, setembro e dezembro, sendo o sexto dia útil anterior ao último dia útil do mês.

Milho

A negociação de milho (CCM) no mercado futuro considerar o mínimo de 450 sacas de 60 kg cada. O vencimento do contrato acontece no 15.º dia útil de cada mês.

Dólar cheio

Para negociar o dólar cheio (DOL) é preciso verificar a cotação para US$ 1.000.  O investimento é em reais, então é preciso considerar a cotação do dia para calcular o valor real dessa transação.

É preciso investir uma margem de garantia que cubra o valor de 5 contratos, sendo que cada contrato vale US$ 50 mil. 

Mini-dólar

O mini-dólar (WDO) é ideal para investidores que não conseguem arcar com a margem de garantia exigida no contrato cheio.

Dessa forma, permite-se a negociação de apenas um contrato valendo US$ 10 mil. A margem de garantia, de 13%, reduz bastante. É preciso desembolsar apenas US$ 1.300. 

Índice cheio

Os índices também operam nas modalidades cheio e mini, assim como o dólar. Para investir no índice cheio do Ibovespa é preciso considerar como lote mínimo o valor de 5 contratos.

Para calcular o valor por contrato, é preciso consultar a pontuação do índice. Cada ponto vale um real, ou seja, se o índice estiver em 100 mil pontos, o investimento será de R$ 100 mil por contrato. A margem de segurança, para esta negociação, é de 16%.

Mini índice

O mini índice (WIN) é uma opção para investidores com capital menor. O lote mínimo exigido é de 1 contrato, e o valor do lote será a pontuação Ibovespa multiplicado por R$ 0,20. A margem de segurança se mantém: 16%.

Mercado a termo

O mercado a termo também é uma negociação de compra e venda em uma data futura. Neste caso, as partes acordam um valor negociado até a liquidação do contrato.

A principal diferença do contrato a vista é que este é um acordo para realizar a operação do ativo hoje.

Opções 

No mercado de opções ocorre a negociação do direito de executar uma ação e a obrigação da contraparte de realizá-la. 

Neste mercado, se negocia o direito de comprar ou vender um ativo por um preço fixo em uma data futura.

Por exemplo, na data da liquidação do contrato, a pessoa que adquiriu o direito de compra/venda pode ou não finalizar a transação. Caso ela opte por fazê-la, o vendedor da opção é obrigado a efetivá-la. 

Esse é um dos tipos de derivativos que proporciona maior liberdade para o tomador, porém exige que ele faça um desembolso inicial, conhecido como prêmio. 

Isto é uma espécie de taxa, proporcional à quantia negociada, que é paga ao lançador do contrato. 

Swaps

As swaps funcionam como um contrato a termo, no qual as partes (investidores, empresas, ou ambos) ficam vinculadas entre si até o término da negociação.  

Nessa modalidade, os envolvidos realizam uma troca de indicadores financeiros. Esse processo também é conhecido como “troca de riscos”. Afinal, os participantes negociam a rentabilidade de dois ativos ou mercadorias diferentes.

De acordo com as características do derivativo, podemos usá-los de três maneiras básicas:

  • Para proteção ou diversificação;
  • Especulação;
  • Para trocar uma rentabilidade.

Como investir com segurança no mercado de derivativos

Entender como os derivativos funcionam é fundamental para trabalhar esses investimentos com segurança. 

Dessa forma, a recomendação é:

Respeitar o perfil de investidor

Não existe investimento bom ou ruim, mas sim, o investimento que melhor se enquadra ao perfil do investidor. Dessa forma, a decisão sempre deve estar em acordo com a tolerância a riscos. 

É importante lembrar que os derivativos configuram um investimento que se enquadra na renda variável. Dessa forma, não há como saber sobre o rendimento futuro. 

Portanto, os investidores que não toleram tanto risco, devem ter uma exposição mais controlada a esse tipo de ativo.  

Conheça os derivativos

O investidor deve conhecer bem os vários tipos de derivativos, afinal, cada um tem especificidades.

Somente após essa fase de estudos é que é possível escolher uma modalidade ideal para cada objetivo.

Estratégia bem fundamentada 

É necessário avaliar os diversos fatores que impactam o mercado antes de fechar um acordo, considerando o momento atual e as expectativas para o futuro. 

Como evitar riscos ao investir em derivativos?

Os investimentos devem ser feitos com conhecimento e não como uma aposta. Para investir sem risco, é necessário construir uma base de conhecimento sólida.

Quem ainda não conhece o mercado, pode começar com pequenos investimentos. 

Entender os gráficos também é importante para fazer uma boa análise, pois se pode observar qual a tendência do título: se alta ou baixa.

Qual a diferença entre ações e derivativos? 

  • Ações: são ativos que representam parte de uma empresa. O investidor as adquire no mercado à vista. 
  • Derivativos: possuem seu valor vinculado a outro ativo, seja uma ação, um índice ou um item físico. 
  • Derivativos de ações: quem investe em derivativos de ações, compra ou vende um contrato futuro vinculado ao valor da ação.  Porém, apenas quando a transação for liquidada é que estará adquirindo ou cedendo para outra pessoa a ação propriamente dita. 

Vale a pena utilizar derivativos? 

Derivativos são interessantes para situações de alavancagem, nas quais o investidor deseja ganhar com as oscilações de mercado e de proteção de capital, pensando em evitar prejuízos decorrentes da volatilidade de preços e cotações. 

Contudo, cabe reforçar que para toda operação deve-se conhecer profundamente os riscos.

  • Quer conhecer mais sobre derivativos, ou sobre outras possibilidades do mercado financeiro? Então, preencha o formulário para que um assessor da EQI Investimentos entre em contato!
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias