Educação Financeira
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Correlação de ativos: o que é e qual a importância para os investimentos?

Correlação de ativos: o que é e qual a importância para os investimentos?

Vanessa Araujo

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 10:25 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 7 min leitura

Vanessa Araujo

08 Jun 2022 às 10:25 · 7 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

foto de computador com imagem de gráfico na tela

Reprodução/Pixabay

No mercado financeiro, a correlação de ativos tem como objetivo entender o comportamento entre dois investimentos. 

Isso significa compreender se eles possuem desempenho semelhante ou diferente, de acordo com os acontecimentos econômicos.

Essa estratégia deve ser colocada em prática, principalmente, para preservar rentabilidade e liquidez, sem risco de defasagem no patrimônio.

Dessa forma, é fundamental montar e rebalancear uma carteira, sempre observando o ciclo da economia que estamos vivendo.

Entenda agora o que é correlação de ativos e como compor investimentos de forma mais eficiente.

Ciclo econômico: qual a fase do Brasil em 2022?

Em um ano de muita volatilidade no cenário político-econômico mundial, como tem sido o ano de 2022, a diversificação da carteira é a melhor maneira de ter proteção financeira. 

“Este será um ano de fraco crescimento do PIB, explicado pelo nosso momento no ciclo econômico atual de juros altos para conter o avanço da inflação. Consequentemente, teremos uma menor atividade econômica”, observa Denys Wiese, Head de renda fixa da EQI Investimentos. 

No entanto, as expectativas não são pessimistas.

“Não estamos esperando uma recessão forte, mas sim, de crescimento econômico quase que zerado”, explica.

De acordo com ele, alguns sinais já estão dando contorno a projeções de um cenário semelhante também na economia mundial. 

Na Europa, contribuem as incertezas relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia. Já nos EUA, a preocupação é quanto ao ritmo das medidas adotadas pelo Fed para contenção da inflação americana.

“O PIB mundial ainda está positivo, mas em tendência de queda. Os juros no mundo todo estão baixos, mas com tendência de alta. Já no Brasil é diferente, os juros já estão altos, com tendência de queda em 2023”, comenta Wiese. 

Isso se deve ao fato de o país ter saído na frente no ajuste da Selic – a taxa básica de juros, que está na décima alta consecutiva.

“Diante disso, é possível projetar que há chances de termos uma tímida queda da inflação em breve”, explica. 

Ciclo econômico atual no Brasil e no mundo

Em termos de ciclo econômico, o mundo, de modo geral, está vivendo um final de expansão da atividade econômica. 

“A Europa é a que está mais atrasada. Já o Brasil é o que está mais à frente, passando por uma recessão”,  comenta o head da EQI. 

Tabela sinais da economia 2022
Projeção de cenários para economia em 2022. Reprodução/EQI

Diante das projeções atuais de um mundo em desaceleração, inflação maior, taxas de juros maiores, como montar uma carteira de investimentos?

A resposta está na correlação entre os ativos. 

O que é a correlação nos investimentos?

Se o momento pede cautela do investidor, é preciso montar uma carteira diversificada. No entanto, é necessário observar também a correlação entre os ativos na hora de fazer essa composição.

Basicamente, a correlação no mercado financeiro tem o objetivo de entender se os ativos apresentam desempenho semelhante ou diferente, de acordo com os acontecimentos econômicos. 

Para isso, é observado se os ativos são correlacionados positiva ou negativamente. 

Veja como a correlação funciona na prática.

Correlação positiva

Existem ativos com correlação positiva, ou seja, que se correlacionam de forma conjunta. Isto quer dizer que quando um ativo sobe, o outro sobe também.

Um exemplo prático de correlação positiva é quando um investidor possui em sua carteira ações de empresas de um mesmo setor. 

“Se montarmos uma carteira de investimentos somente com ativos que são correlacionados positivamente, o resultado da carteira será uma média desses dois ativos”, explica o Head da EQI. 

No gráfico abaixo é possível visualizar este comportamento. 

Gráfico carteira de investimentos com correlação positiva
Reprodução/EQI

Se um investidor alocar o mesmo valor nos ativos A e B e, hipoteticamente, o ativo A se valoriza 10% e o ativo B tem uma valorização de 5%, a média dos dois (7,5%), será a resultante da carteira. 

“O resultado de uma carteira montada apenas com ativos correlacionados positivamente é uma maior volatilidade. Dessa forma, não é uma estratégia eficiente”, esclarece Denys Wiese. 

Correlação negativa

Na correlação negativa, a tendência de subida de um ativo se caracteriza em uma propensão de queda do outro.

No gráfico abaixo, o ativo A possui o comportamento oposto do ativo B: se um deles sobe, o outro cai e vice-versa. 

Um exemplo prático de correção negativa é a composição de uma carteira com ativos dolarizados e Ibovespa. Quando o Ibovespa sobe, o dólar cai, quando o dólar sobe, o Ibovespa cai. 

“A carteira resultante da compra desses dois ativos será menos oscilante ”, comenta o especialista da EQI.

Carteira de investimento com correlação negativa
Reprodução/EQI

Como montar uma carteira de investimentos eficiente 

Uma carteira é eficiente quando é montada com ativos de correlação negativa, ou descorrelacionados, conforme observa Wiese.

Na prática, a correlação e descorrelação está relacionada com a diversificação adequada de uma carteira de investimentos. 

“Essa é a estratégia que garante uma real diversificação. Se os investimentos estão muito correlacionados, temos uma falsa diversificação”, adverte. 

Ele também ressalta que compor uma carteira com ativos de correlação negativa ou descorrelacionados “proporciona ao investidor mais liquidez, mas com perdas menores”, destaca. 

Como montar uma carteira de investimento
Ativos de correlação negativa: a verdadeira diversificação em investimentos. Reprodução/EQI

Como sua carteira de investimentos está montada?

Para seguir uma carteira com ativos descorrelacionados, é preciso conhecer o perfil de investidor. 

Basicamente, ele indica o grau de risco tolerado que uma pessoa possui ao montar sua carteira. Isso está relacionado à oscilação de um portfólio de investimentos.

Os três grandes representantes do perfil de investimentos são os conservadores, moderados e sofisticados. 

É por meio do perfil de risco de um investidor que as aplicações serão alocadas. 

Estratégia de alocação de ativos - perfil investidor
Reprodução/EQI

Perfil conservador

Caracterizado por não ter (quase) nenhuma tolerância ao risco; 

Sendo assim, sua carteira concentra todo o seu patrimônio em ativos de renda fixa, sem alocação em outros tipos de mercado.

Perfil moderado

Considera colocar risco em sua carteira, mas de modo bastante controlado.

A alocação de investimentos tem prevalência na renda fixa;

Perfil sofisticado

É o que aceita mais risco na carteira. Com metade de todo seu patrimônio em mercados voláteis.

“Você possui um perfil de investidor e uma carteira recomendada para este perfil. O cuidado é manter-se dentro da alocação sugerida, observando sempre a descorrelação dos ativos de acordo com o ciclo econômico”, finaliza Denys Wiese. 

newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias