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BC revisa alta do PIB de 2022 de 1% para 1,7%; mas incertezas seguem no radar

BC revisa alta do PIB de 2022 de 1% para 1,7%; mas incertezas seguem no radar

Osni Alves

Osni Alves

23 Jun 2022 às 12:03 · Última atualização: 23 Jun 2022 · 4 min leitura

Osni Alves

23 Jun 2022 às 12:03 · 4 min leitura
Última atualização: 23 Jun 2022

Imagem mostra o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em discurso.

O Banco Central (BC) projeta alta do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 em 1,7%, ante 1% projetado anteriormente. Foi o que afirmaram os membros do BC em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (23).

Entretanto, segundo a autoridade monetária, a incerteza e o risco fiscal ainda pairam no radar do banco.

As informações foram repassadas por executivos do banco em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (23), com a participação do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Conforme os dirigentes, a incerteza na projeção permanece maior do que a usual, em cenário de continuidade da guerra na Ucrânia e de riscos crescentes de desaceleração global em cenário de inflação pressionada.

Os gestores elencaram, ainda, que se surpreenderam positivamente com o PIB do primeiro trimestre, mas ponderaram que os efeitos do aperto monetário em curso contribuem para projeção de arrefecimento da atividade no segundo semestre.

Além disso, o BC revisou a projeção de alta no saldo de crédito em 2022 para 11,9%, ante 8,9% na divulgação anterior.

No caso das transações correntes, a previsão de superávit em 2022 foi para 4 bilhões de dólares, ante 5 bilhões de dólares antes.

Imagem mostra o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em discurso.

BC: projeção do crédito e Selic

Ainda de acordo com o BC, a projeção para expansão do crédito em 2022 passa de 8,9% para 11,9%. Conforme as previsões, o estoque de crédito para pessoa física passou de 11,2% para 14,4% e para pessoa jurídica, de 5,7% para 8,5%.

Em relação á alta do consumo das famílias, também importante para a conjuntura econômica nacional, foi alterada de 1,1% para 1,7%. Por outro lado, a nova perspectiva aponta para a redução de 0,5 ponto percentual das contas do governo, de 2,3% para 1,8%.

Em se tratando da Selic, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, avalia que o ciclo que elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 2% ao ano para 13,25% ao ano no período de um ano e meio, é um fator que vai limitar o desempenho futuro do PIB.

Ele também disse que a hipótese de que a Selic não vai se alterar até 2024 é uma hipótese forte, e acrescentou que grande parte do aperto monetário ainda vai ser sentido, tanto na inflação, quanto no crescimento. “Então, nós esperamos uma desaceleração da atividade nos próximos trimestres”, frisou.

Já Campos Neto disse que é difícil comentar agora o timing para virada. “Ainda é cedo para falar em queda dos juros.”

Tá, e aí?Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, as revisões do Banco Central já eram esperadas e se aproximam do que boa parte do mercado já vem apontando.

“Essa projeção de 1,7% do Banco Central para o PIB está muito em linha com a da EQI, que é de 1,8%”, diz.

“A gente entende que essa revisão mais cedo ou mais tarde iria acontecer e ela tende a pressionar as projeções do Banco Central para cima. A projeção para inflação segue em 4% e a meta é 3,25%, por isso o BC deve continuar subindo juros na próxima reunião”, ele explica.

E complementa que a Selic, taxa básica de juros, deve fica para nesse patamar alto durante um longo período ainda, até que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) tenham convicção de que a inflação está convergindo para meta e a intensidade e velocidade disso está de acordo com o que eles gostariam de observar.

“Seguimos trabalhado com ideia de juros a 13,75% (a partir de 4 de agosto deste ano), começando a cair a partir de abril de 2023, mas tudo depende do que vai acontecer com a inflação e com o crescimento até lá”, afirma.

Confira áudio com a análise de Kautz:

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