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Armínio Fraga avalia o cenário econômico: hora é de ser paciente e diversificar

Armínio Fraga avalia o cenário econômico: hora é de ser paciente e diversificar

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

26 Out 2021 às 01:27 · Última atualização: 26 Out 2021 · 4 min leitura

Redação EuQueroInvestir

26 Out 2021 às 01:27 · 4 min leitura
Última atualização: 26 Out 2021

Armínio Fraga

Na noite desta segunda-feira (25), Armínio Fraga, sócio fundador da Gávea Investimentos e ex-diretor do Banco Central, falou sobre a recuperação do cenário econômico e as oportunidades de investimentos durante a quinta edição da Money Week, evento online e gratuito, que segue até o final da semana.

Acompanhe, a seguir, como foi o bate-papo com Fraga.

Cenário econômico: um panorama global

De acordo com Armínio Fraga, provavelmente estamos presenciando o fim de uma longa tendência de queda nas taxas de juros internacionais. Segundo ele, há cerca de 40 anos, os juros dos países desenvolvidos estão muito baixos. “Na Alemanha, por exemplo, para uma aplicação de 10 anos, o juro é negativo, independentemente da inflação. O mesmo acontece nos EUA, onde o equivalente ao Tesouro IPCA+ rende -1% ao ano”.

Para o economista, o que está acontecendo lá fora é que a inflação finalmente começou a aparecer. No entanto, mais do que isso, trata-se de um longo período turbinado por gastos públicos e juros incrivelmente baixos. Dessa forma, o que se pode inferir do exterior é que todos os sinais levam a crer que as taxas vão subir.

Em geral, para países emergentes como o Brasil, isso é um “sinal no mínimo amarelo”. Nesse sentido, Fraga alerta que é preciso ter em mente que o mundo todo aproveitou um período de bolsas em alta e que, com o aumento dos juros, a realidade pode mudar.

“Com os juros baixos, o mundo se endividou muito. Em suma, é possível que estejamos vendo um fim de festa. Para o Brasil, o que aconteceu ao longo dos últimos anos foi muito bom no sentido de commodities e bolsa em alta, e dinheiro externo entrando aqui. No entanto, os mercados estão meio esticados lá fora. E questões como a disputa entre EUA e China e o que vai acontecer com o progresso tecnológico ainda despertam incertezas”, ele avalia.

E como está o cenário econômico no Brasil?

Quando falamos em Brasil, o economista aponta que existem muito mais incertezas. Para Armínio, essas incertezas dependem muito mais da nossa economia do que de eventos externos. Ou seja, “os ciclos externos podem fazer o PIB andar 0,5% ou 1% a mais ou a menos. O que não é pouco, mas nem se compara à importância dos eventos domésticos. Por aqui, o que estamos vendo é um país que vem desde 2014 com muitas dificuldades na área fiscal, a despeito de alguns esforços importantes como teto de gastos ou a Reforma da Previdência, por exemplo. Além disso, não podemos esquecer que o quadro se agravou bastante com a pandemia”, conclui.

Para Armínio, o quadro fiscal ainda é perigoso, e a dívida, bastante grande. “Nesse sentido, chegaremos ao final desse ano com uma dívida menor do que o esperado. Isso por causa da inflação e da arrecadação também acima da expectativa. A inflação faz com que a taxa de juros em termos reais fique mais baixa. Mas, de qualquer maneira, temos uma dívida superior a 80% do PIB”.

Por outro lado, temos juros que subiram muito por causa da inflação. Nesse sentido, alguns fatores são temporários, mas as expectativas estão bastante desancoradas. Para o economista, se olharmos, por exemplo, os mesmos títulos do Tesouro IPCA+, dá para ver que a inflação embutida nesses papéis está bem alta, próxima a 6%. “Tudo isso é muito sério e, infelizmente, está acontecendo já em um ambiente de eleição, de campanha eleitoral”, ressalta Armínio.

Além disso, o arcabouço fiscal, que já era difícil, está ameaçado. Isso porque o teto de gastos foi feito na expectativa de que fosse possível fazer reformas mais profundas, o que efetivamente não aconteceu. Dessa forma, há um certo receio nesse ambiente tipicamente populista, como sempre acontece em épocas pré-eleitorais.

Em suma, para Armínio, esse é o quadro geral macro. Complicado, de incertezas e pouco crescimento.

Câmbio e ações

Em relação ao câmbio, Fraga chamou atenção para a excessiva depreciação do real frente ao dólar. “De um lado, há muitos brasileiros querendo diversificar seus investimentos e, por isso, enviando dinheiro para fora. Essa pressão acaba levando o câmbio para cima. Dessa forma, o Banco Central acaba embutindo a alta do dólar nas suas previsões de inflação, mesmo que se acredite que as coisas possam se estabilizar”, diz.

Sobre as ações, o economista admite que há muita coisa barata no mercado. Nesse momento, o investidor se pergunta: o que fazer nesse cenário?

Para Armínio, esse é um dos momentos em que é preciso ser paciente e diversificar, pois não dá para colocar todas as fichas em ativos de risco. A situação fiscal é difícil, e a política, bastante incerta. Trata-se de um quadro que mostra a economia meio paralisada.

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