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XP vê setor de vestuário ‘quente’ e mantém compra em Renner, C&A e Riachuelo

XP vê setor de vestuário ‘quente’ e mantém compra em Renner, C&A e Riachuelo

Analistas atualizam estimativas após o primeiro trimestre, reitera a Renner como top pick e vê clima frio e base de comparação fraca no segundo semestre como impulsos

A XP manteve a recomendação de compra para Lojas Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) após incorporar os resultados do primeiro trimestre de 2026 aos modelos das três varejistas de vestuário de média renda.

A corretora sustenta que o segmento combina momentum de resultados e valuation atrativo, com a Renner reiterada como principal escolha do setor.

Os preços-alvo de Renner e C&A ficaram inalterados, em R$ 22 e R$ 17, enquanto o da Riachuelo passou a R$ 12.

A revisão incorporou premissas macroeconômicas atualizadas, dinâmica de receita um pouco melhor e despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A) mais altas, para refletir os custos de mão de obra da nova legislação trabalhista, que está perto de ser aprovada. Com os ajustes, a casa cortou o lucro líquido projetado para 2027 de Renner e Riachuelo.

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Clima joga a favor

O interesse dos investidores pelo segmento aumentou, segundo a XP. O frio deve garantir bom desempenho da coleção de inverno, mesmo contra uma base de comparação forte, e o segundo semestre de 2026 traz comparáveis mais fracos, com o El Niño podendo sustentar tempo favorável para a coleção de transição da primavera.

“As companhias vêm entregando resultados sólidos, com margens brutas sendo o principal destaque, o que oferece espaço para aumento de competitividade, se necessário”, escreve a equipe liderada por Danniela Eiger, head de varejo e co-head de equity research da XP, que assina o relatório com Pedro Caravina e Laryssa Sumer.

Importados não assustam

O otimismo da casa convive com uma mudança tributária sensível para o setor. As importações de pequeno valor, canal típico das plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, deixaram de pagar impostos federais, o que tende a acirrar a disputa por preço no vestuário.

“Não vemos o fim dos impostos federais sobre importações de pequeno valor como um risco estrutural, com as companhias mais bem preparadas para enfrentar essa competição por meio de uma proposta de valor melhorada”, afirmam os analistas.

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Copa entra como risco

A principal ressalva do relatório é a Copa do Mundo.

Na avaliação da XP, o torneio mexe com o calendário de consumo do varejo de moda e as apostas esportivas podem tirar ainda mais espaço do orçamento das famílias, o que adicionaria pressão sobre as vendas justamente no meio do ano.

Renner segue top pick

Mesmo negociando ao maior múltiplo P/L entre as três, a Renner segue como a preferida da XP. A corretora destaca o perfil defensivo e a liquidez mais alta da ação em um cenário incerto e volátil, além do FCF yield (rendimento do fluxo de caixa livre) de 12%, o maior do trio.

“Vemos espaço para revisão de resultados, com nossas estimativas acima do consenso (+6-8% em 2026-27e), mesmo com premissas abaixo do guidance da companhia”, diz o relatório.

No conjunto, a XP segue na ponta compradora do vestuário de média renda, apoiada em execução consistente, tempo favorável às coleções e ações descontadas, com a Copa do Mundo como o ponto a monitorar ao longo do ano.