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Weg: divisão BESS será chave para o crescimento

Weg: divisão BESS será chave para o crescimento

Com preço-alvo de R$ 53,60 e upside de 23%, Safra mantém cautela no curto prazo e aguarda maior visibilidade de crescimento e margens

A divisão de BESS — sistemas de armazenamento de energia em baterias — será a chave para o crescimento da Weg (WEGE3) no Brasil. Essa é uma das principais conclusões do Banco Safra após reunião presencial com o CFO da companhia, André Luís Rodrigues, e o gerente de relações com investidores, Felipe Scopel, realizada nesta terça-feira (26). O banco mantém recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 53,60 e potencial de valorização de 23%.

O leilão de BESS é o principal alavancador para desbloquear a demanda por sistemas de armazenamento de energia no Brasil. A Weg pretende oferecer uma solução totalmente integrada e desenvolvida internamente, importando apenas as células de bateria de fornecedores chineses, e poderia garantir cerca de 20% da capacidade total leiloada”, afirmam as analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti.

Curto prazo pressionado, melhora a partir do segundo semestre

O cenário imediato permanece desafiador. A valorização do real e as restrições de capacidade em transmissão e distribuição devem manter o crescimento de receita abaixo da média histórica ao longo de 2026.

O segundo trimestre ainda deve sentir o efeito de uma base de comparação difícil no segmento solar, que havia registrado desempenho elevado no mesmo período de 2025. A virada deve ocorrer no segundo semestre, com o início do ramp-up da capacidade de Betim, em Minas Gerais, a partir do terceiro trimestre ou início do quarto.

“A receita deve melhorar gradualmente a partir do terceiro trimestre de 2026, com o segundo semestre beneficiado por comparações mais fáceis e pela entrada em operação da capacidade adicional de Betim”, explicam Mussi e Melotti.

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Margens pressionadas por câmbio

A margem ajustada mais fraca no primeiro trimestre de 2026 foi explicada principalmente pela volatilidade cambial, que gerou descasamento entre o custo dos insumos — comprados quando o real estava mais fraco — e as receitas realizadas posteriormente. A aceleração nas contratações para preparar a expansão de capacidade também pesou.

A companhia já iniciou reajustes de preços na maior parte das regiões em resposta ao aumento de custos de commodities. Nos Estados Unidos, os repasses já haviam ocorrido anteriormente em função das tarifas.

“Um real/dólar mais estável no segundo trimestre de 2026 deve ajudar a evitar uma repetição da pressão de margem do primeiro trimestre”, avaliam as analistas.

México e data centers pavimentam crescimento para 2027

A expansão no México deve se tornar um vetor estrutural relevante a partir de 2027, com contribuição mais visível aos resultados no segundo semestre daquele ano. Na divisão de equipamentos elétricos industriais, a demanda segue saudável nos Estados Unidos, Europa e China.

No segmento de geração e transformação, os data centers continuam impulsionando a demanda por transformadores e alternadores.

“A demanda por HVAC cresceu em função da necessidade de capacidade de resfriamento ligada a data centers, enquanto turbinas a vapor e alternadores nos EUA também apresentaram renovação de demanda”, destacam Mussi e Melotti.

Com o papel negociando a 25,2 vezes o lucro estimado para 2027 — desconto de 12% frente à média histórica —, o Safra acredita que a tese de investimento deve ganhar força conforme a visibilidade de crescimento melhora.