A XP Investimentos divulgou nesta quarta-feira (22) um relatório setorial sobre as distribuidoras de energia elétrica e elegeu dois papéis como indispensáveis para o restante de 2026: Energisa (ENGI11) e Equatorial (EQTL3). Segundo o banco, após um ano difícil, o terreno está sendo preparado para um cenário mais benigno no segmento.
“Acreditamos que 2026 está preparando o terreno para um cenário mais benigno para as distribuidoras de energia”, afirma o relatório, que também atualiza estimativas para outros players do setor integrado com exposição à distribuição.
O que pesou em 2025
O ano passado foi marcado por uma narrativa negativa para as DisCos — termo do setor para as distribuidoras. A XP aponta três vetores principais: desafios para cumprir uma nova agenda regulatória focada em qualidade; revisões para baixo no WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) regulatório previstas a partir de 2027; e uma rotação dos investidores para outros nomes com narrativas mais construtivas.
O resultado foi uma performance de queda expressiva: Energisa e Equatorial recuaram 54% e 50%, respectivamente, enquanto papéis como Auren (AURE3) e Sabesp (SBSP3) avançaram entre 64% e 105% no mesmo período.
“Grande parte das más notícias já está no preço”, destaca o relatório, referindo-se à deterioração dos ROICs de longo prazo e à perspectiva de redução dos WACCs regulatórios — fatores que, segundo a XP, já foram amplamente incorporados nas cotações.
A virada de narrativa
Para 2026, a XP vê três motores de mudança. O primeiro é a agenda regulatória, que pode trazer surpresas positivas: “há discussões sobre criação de incentivos para manutenção de níveis elevados de capex, possível atualização da inadimplência regulatória e, no caso de Light (LIGT3), a atualização da metodologia de perdas com a criação de Áreas com Severas Restrições Operacionais”, detalha o relatório.
O segundo motor é macroeconômico. “Seguimos construtivos em relação a um cenário macro mais benigno e vemos nomes como Energisa e Equatorial oferecendo duration longa e alta sensibilidade à queda de juros”, afirma a XP.
No campo das mudanças de recomendação, a CPFL Energia (CPFE3) é rebaixada para underperform (venda) após valorização de 46% desde o início da cobertura.
“Embora continuemos vendo CPFE como um nome premium, sua TIR real apertada de 7,9% nos leva a ter uma postura menos construtiva”, conclui o relatório. Light (LIGT3) e Copel (CPLE6) seguem com recomendação de outperform (compra).






