O Itaú BBA fez três trocas no Radar de Preferências de setembro. A Eneva (ENEV3) entra no lugar da Sabesp (SBSP3) em energia elétrica e saneamento, a Vale (VALE3) substitui a Gerdau (GGBR4) em siderurgia e mineração, e a TSMC (TSMC34) assume a vaga da Micron (MUTC34) em tecnologia global.
Recomendações para setembro

Eneva
A escolha se apoia na mudança do perfil de receita da companhia. A parcela contratada fixa ganha espaço no resultado, o que reduz a dependência do despacho das usinas térmicas.
“O despacho termelétrico deixa de ser um requisito para sustentar a geração de valor e passa a representar uma fonte adicional de upside”, apontam Victor Natal e Mathias Dabdab Venosa, analistas do Itaú BBA.
O banco também enxerga ganhos possíveis no curto prazo em três frentes: a negociação para reduzir a inflexibilidade de alguns ativos, o que libera potência para as horas mais caras, novos projetos no leilão de reserva de capacidade, com a eventual desclassificação de vencedores do certame de março, e o exercício da opção de compra das participações minoritárias nos hubs Sudeste e Ceará.
Vale
A recomendação foi mantida mesmo com o corte nas estimativas de preço do minério de ferro para 2026. Para o Itaú BBA, o papel oferece assimetria atrativa nos níveis atuais, porque o mercado já embutiu um quadro conservador para a commodity, enquanto as margens têm espaço para melhorar caso o minério se recupere ou os custos cedam.
“Projetamos um retorno do fluxo de caixa livre de 8% a 9% ao ano entre 2026 e 2030, com a maior parte dessa geração de caixa sendo devolvida aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações”, calculam Natal e Venosa. A aceleração dos projetos de cobre aparece como catalisador adicional, capaz de reduzir a percepção de risco sobre a plataforma de crescimento da mineradora.
TSMC
A tese para a fabricante taiwanesa de semicondutores se apoia em três pilares. O primeiro é a projeção de cinco anos divulgada pela própria companhia, que dá visibilidade incomum em uma indústria historicamente cíclica. O segundo é a sustentação da margem bruta em patamar elevado, resultado da demanda forte e da diferenciação tecnológica.
“O resultado da Nvidia em 26 de agosto reforçou a tese ao mostrar que a expansão da demanda por inteligência artificial segue à frente da capacidade instalada da indústria. Para a TSMC, que domina os nós mais avançados de manufatura, isso amplia a escassez relativa da sua capacidade e fortalece o poder de precificação”, observam Victor Natal e Mathias Dabdab Venosa, analistas do Itaú BBA.
“Em 30 de julho, a Apple informou que suas limitações vieram da disponibilidade dos nós avançados em que são produzidos seus processadores, e frisou que não se trata de problema de fornecedor, mas de demanda muito maior que a esperada. É uma leitura duplamente favorável à TSMC”, dizem Natal e Venosa.
Entre os riscos, o banco cita a própria insuficiência de capacidade, que pode atrair concorrentes, e o fator geopolítico, hoje de natureza mais generalizada do que específica da companhia.
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