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Suzano: ação está “altamente descontada”, diz BTG

Suzano: ação está “altamente descontada”, diz BTG

Suzano mira desalavancagem para 2,5 vezes dívida líquida/EBITDA até 2027-2028 e deve anunciar nova política de dividendos

As ações da Suzano (SUZB3) estão altamente descontadas e amplamente subrepresentadas nos portfólios dos investidores — essa é a avaliação do BTG Pactual após realizar uma rodada de discussões na sede da companhia com a alta liderança da empresa, incluindo o CEO Beto Abreu, o CFO Marcos Assumpção e os vice-presidentes executivos Leonardo Grimaldi e Aires Galhardo.

O banco vê valor no papel ao múltiplo atual de 5,3 vezes EV/EBITDA para 2026, embora reconheça que os catalisadores de curto prazo permanecem limitados. A recomendação é de compra, com preço-alvo de R$ 72, com potencial de valorização de 76,2% (contando dividendos).

“A Suzano continua sendo uma ação altamente descontada e amplamente sub-representada nos portfólios, e ao múltiplo atual de 5,3 vezes EV/EBITDA para 2026, continuamos enxergando valor”, afirmaram os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual.

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Fundamentos de celulose se deterioram

O mercado chinês de celulose está próximo de um pico de curto prazo, caracterizado por estoques elevados, sentimento fraco ao longo da cadeia de valor e condições especialmente desafiadoras no segmento de softwood — com spreads SW-HW em mínimas de vários anos. O BTG não descarta uma correção de 5% a 10% nos preços chineses de celulose a partir dos atuais US$ 600 por tonelada.

Entretanto, a gestão da Suzano trabalha ativamente para reduzir a dependência da China por meio de iniciativas de substituição fibra-a-fibra e desverticalização, principalmente na Europa e na América do Norte.

“Embora os fundamentos de celulose pareçam deteriorar a partir daqui, saímos encorajados por uma equipe de gestão que permanece firmemente focada no que pode controlar: execução, solidez do balanço e alocação disciplinada de capital”, destacaram Correa, Arazi e Gotardo.

Desalavancagem e nova política de dividendos

A gestão reiterou falta de interesse em M&A de grande escala ou projetos greenfield, com foco firme na desalavancagem em direção a aproximadamente 2,5 vezes dívida líquida sobre EBITDA, meta prevista para o final de 2027 ou meados de 2028.

O compromisso com a disciplina financeira é visto pelo BTG como um diferencial relevante em um momento de fundamentos setoriais mais desafiadores.

Um ponto de destaque da rodada foi a sinalização sobre dividendos.

“Uma nova política de dividendos é mais uma questão de quando do que se vai acontecer”, avaliaram Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, sinalizando que a Suzano deve anunciar uma política mais estruturada de retorno ao acionista à medida que avança no processo de desalavancagem.

Um real mais fraco também foi citado como potencial catalisador de curto prazo para as ações, dado o perfil exportador da companhia.