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SLC Agrícola entra em nova fase: safra forte impulsiona lucro e alavancagem chega ao teto antes da virada

SLC Agrícola entra em nova fase: safra forte impulsiona lucro e alavancagem chega ao teto antes da virada

Genial Investimentos vê melhora operacional no 2T26, com algodão como protagonista e potencial de recuperação das ações

A SLC Agrícola deve apresentar no segundo trimestre de 2026 um ponto de inflexão em seus resultados, com a entrada da safra 2025/26 no balanço impulsionando margens e lucro. A avaliação é da Genial Investimentos, que manteve recomendação “Manter” para as ações da companhia e preço-alvo de R$ 18 para os próximos 12 meses.

A corretora estima receita líquida de R$ 2,22 bilhões no período, alta de 19,2% na comparação anual, enquanto o EBITDA ajustado deve alcançar R$ 670 milhões, avanço de 20,4%. O lucro líquido é projetado em R$ 245 milhões, crescimento de 75,2% frente ao segundo trimestre de 2025.

Segundo a Genial, a principal mudança do trimestre está na qualidade do resultado. A expansão esperada da margem bruta, para 42,3%, não depende de preços mais altos das commodities, mas da combinação entre redução de custos unitários e maior participação de fazendas com produtividade elevada no reconhecimento da receita.

No primeiro trimestre, parte relevante do faturamento refletiu operações do Centro-Oeste afetadas por chuvas no fim da colheita. Já no segundo trimestre, a companhia deve começar a capturar os efeitos das unidades com melhor desempenho agrícola.

Algodão lidera recuperação e responde pela maior parte da melhora operacional

Entre as culturas, o algodão aparece como principal vetor de crescimento. A Genial projeta faturamento de 91,6 mil toneladas de pluma no trimestre, aumento de 20% na comparação anual, com preços praticamente estáveis e queda de aproximadamente 3% no custo unitário.

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Com esse cenário, a margem bruta do algodão deve avançar para 37%, ante 34,5% no mesmo período do ano passado. A estimativa é que a cultura responda por cerca de metade do resultado bruto das principais atividades agrícolas da companhia no trimestre.

A corretora destaca ainda que a maior parte da safra atual já está protegida por contratos de hedge, reduzindo a exposição da companhia a oscilações nos preços internacionais da fibra e do câmbio.

A soja também deve apresentar melhora, embora com menor impacto no consolidado. A expectativa é de aumento de 10% no volume faturado, preços praticamente estáveis e leve expansão da margem bruta para 28%.

A Genial ressalta, porém, que a comparação com o primeiro trimestre é distorcida por um ganho extraordinário de hedge cambial registrado anteriormente, que elevou artificialmente o resultado da cultura no período.

No milho, o volume deve crescer significativamente com a entrada das fazendas adquiridas da Sierentz. Apesar disso, a margem tende a recuar em relação ao ano anterior devido a uma base de comparação considerada excepcional, já que o segundo trimestre de 2025 contou com custos unitários reduzidos por conta de uma produtividade recorde.

A pecuária também deve mostrar recuperação, com aumento do volume comercializado e melhora da rentabilidade em relação ao trimestre anterior.

Alavancagem deve atingir pico antes de iniciar trajetória de queda

Outro ponto central da análise da Genial é a evolução da dívida. A corretora estima que a relação entre dívida líquida ajustada e EBITDA ajustado atinja aproximadamente 2,9 vezes no segundo trimestre, acima das 2,72 vezes registradas no primeiro trimestre.

Segundo a instituição, esse movimento representa o pico sazonal do ciclo financeiro da companhia, já que o primeiro semestre concentra desembolsos com arrendamentos e compra de insumos para a próxima safra.

A expectativa é de reversão a partir do terceiro trimestre, quando a maior geração de caixa com a comercialização do algodão deve contribuir para a redução da alavancagem. A projeção é que a empresa encerre 2026 próxima de 2,4 vezes.

A Genial também destaca como fator positivo a antecipação das compras de fertilizantes para a safra 2026/27. Mais de 60% da ureia necessária para o próximo ciclo já teria sido adquirida, reduzindo o risco de pressão de custos em um mercado marcado por incertezas.

Pelo lado das receitas, a companhia também avançou na comercialização antecipada de parte da produção futura, com preços contratados superiores aos da safra atual para algodão e soja, embora parcialmente compensados por um câmbio menos favorável.

Apesar da melhora operacional esperada, a Genial manteve recomendação “Manter”. A corretora avalia que as ações negociam com prêmio em relação a alguns pares do setor quando analisadas por múltiplos tradicionais, mas pondera que essa comparação tem limitações devido às diferenças entre as empresas.

Por isso, a análise permanece baseada principalmente no valor dos ativos agrícolas da companhia. O portfólio de terras da SLC foi avaliado em R$ 13,5 bilhões em junho de 2026, reforçando a visão de suporte patrimonial para o papel.

As ações acumulam queda de 11% no ano e de 18% em 12 meses, movimento que, segundo a Genial, parece não refletir totalmente a melhora esperada nas margens e a trajetória de redução da dívida.

A corretora afirma que uma confirmação da virada operacional no resultado do segundo trimestre pode abrir espaço para uma revisão positiva da tese de investimento.