O Santander Brasil (SANB11) deve registrar um dos trimestres mais fracos de 2026 quando divulgar seus resultados em 29 de julho. O BTG Pactual projeta lucro líquido de R$ 3,1 bilhões no segundo trimestre, queda de 16% em relação ao primeiro e cerca de 20% abaixo do consenso, com as provisões como principal responsável pela decepção esperada.
“Será um trimestre fraco, com o lucro próximo a R$ 3,1 bilhões, mais de 15% abaixo sequencialmente e cerca de 20% abaixo do consenso, com o custo de risco sendo a principal razão para a diferença“, afirmaram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual. A semana também marcou a estreia do novo CEO, Gilson Finkelsztain, no cargo.
Provisões no pico do ano pressionam resultado
O varejo deve exigir provisões mais altas, e houve piora em um cliente específico do segmento corporativo e rural. As regras de write-off também mudaram: empréstimos rurais, de veículos e imobiliários agora são baixados após mais de um ano, enquanto cartões, cheque especial e crédito renegociado passam para nove meses.
O crescimento da carteira de crédito segue modesto, sem grande aceleração, com foco em clientes de maior renda, crédito imobiliário e cartões.
A receita líquida de juros de clientes deve crescer abaixo do ritmo da carteira, refletindo efeito de mix e atraso na recuperação das margens.
O NII de mercado deve trazer algum alívio em relação ao primeiro trimestre, mas permanece negativo. As tarifas devem ficar estáveis, com mercado de capitais mais pressionado e consórcio e gestão de ativos como vetores de crescimento.
Custos controlados, JCP não compensa as provisões
O Santander reduziu cerca de 4.300 funcionários no ano passado e deve repetir movimento similar em 2026. As despesas operacionais podem subir por sazonalidade, mas seguem sob controle.
O benefício tributário do JCP deve ser maior pela base de resultado antes do imposto mais pressionada, levando a alíquota efetiva menor. Mesmo assim, a redução de impostos não compensa as provisões mais altas.
“Mesmo com uma alíquota menor, esperamos que o lucro líquido decline sequencialmente, com o resultado potencialmente caindo 16% para R$ 3,1 bilhões”, disseram Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Agro preocupa, segundo semestre deve melhorar
O agronegócio, que representa cerca de 7% da carteira do banco, é o principal bolsão de preocupação. Desde maio e junho, os fluxos de pagamento desaceleraram porque os tomadores passaram a aguardar um possível programa Desenrola Agro, criando risco moral claro.
Para o segundo semestre, a gestão espera tendências de receita mais fortes, menor custo de crédito e avanço do consignado privado, que foi impactado pelos problemas do INSS no segundo trimestre.
“Vemos risco de queda não apenas para as estimativas trimestrais, mas também para o consenso de 2026. Dito isso, a ação já cai cerca de 20% no ano, abaixo dos pares, e agora negocia a 1,0 vez o valor patrimonial”, concluíram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
O valuation comprimido pode limitar a queda adicional, mas a virada depende de melhora concreta nas provisões e na qualidade dos ativos ao longo do segundo semestre.
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