O Safra revisou suas estimativas para a RD Saúde (RADL3) e reduziu o preço-alvo para os próximos 12 meses de R$ 30 para R$ 27 por ação, mantendo a recomendação de compra.
O principal motor da revisão do corte foi o impacto dos juros elevados sobre o resultado financeiro da companhia, que pressionou as projeções de lucro líquido mais do que qualquer outro fator isolado. Mesmo assim, o banco vê potencial de valorização de 63% em relação à cotação atual de R$ 16,55.
Segundo os analistas do Safra, a revisão incorpora os resultados do primeiro trimestre, novas premissas macroeconômicas mais conservadoras (PIB de 1,6% em 2026, contra 2,2% antes, e Selic média de 14,5% em 2026 e 12,3% em 2027), uma estimativa de crescimento de vendas em mesmas lojas (SSS) um pouco melhor para 2026 (11,8% contra 11,5% na projeção anterior) e um benefício de R$ 500 milhões com a recuperação de créditos de ICMS-ST.
Por outro lado, o time adotou postura mais conservadora para 2027 diante de uma base de comparação mais exigente, com SSS projetado em 9,8% contra 12,1% antes.
O que mudou nas projeções
O banco excluiu da estimativa de vendas a contribuição da 4bio no segundo trimestre e um benefício de R$ 120 milhões relacionado ao diferencial de alíquota de ICMS (Difal), o que explica o ajuste nas projeções de receita. O impacto sobre as vendas foi levemente negativo, queda de 3% em 2026, 2% em 2027 e estabilidade em 2028.
Já a margem bruta foi revisada para cima, enquanto a margem Ebitda caiu após a incorporação dos números históricos ajustados, sem a 4bio, ao modelo. A partir de 2027, o Safra passou a considerar uma diluição de despesas mais suave, em razão das incertezas sobre o preço dos genéricos de semaglutida e seu efeito sobre o crescimento das vendas.
A revisão do lucro líquido foi a mais expressiva entre as linhas do balanço: queda de 5% em 2026, 10% em 2027 e 7% em 2028.
Segundo o relatório, esse foi o efeito direto dos juros elevados sobre o resultado financeiro da companhia, justificando o tamanho do corte no preço-alvo.
Valuation e múltiplos
O preço-alvo de R$ 27 por ação é baseado em fluxo de caixa descontado, com taxa de crescimento de 5,5%, custo de capital próprio (Ke) de 14,3% e WACC de 10,5%, praticamente estável em relação à estimativa anterior. Nesse preço-alvo, a RD Saúde negociaria a um múltiplo P/L implícito de 19 vezes, um desconto de 30% em relação à média de dois anos, de 25 vezes.
Atualmente, o Safra vê a ação negociada a um patamar considerado atrativo, 17 vezes o lucro projetado para 2026 ou 13 vezes o de 2027, ambos abaixo da média histórica da companhia.
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Risco da mudança na escala de trabalho
O relatório também traz uma análise de sensibilidade sobre eventuais mudanças na escala de trabalho do varejo. Caso as despesas com vendas subam entre 4,7% e 11% por conta dessa alteração, o aumento de preços necessário para compensar o efeito ficaria entre 1,7% e 4,1%. Caso a companhia opte por não repassar o custo aos preços, hipótese que o banco considera pouco provável, o impacto sobre o lucro líquido poderia variar entre 14% e 32% em 2027.
Nesse cenário mais adverso, o preço-alvo do Safra cairia para uma faixa entre R$ 23,30 e R$ 18,40, o que sugere que o preço atual já reflete parte relevante desse risco.
Entre os riscos listados pelo banco para a tese estão o cenário macroeconômico, a concorrência, a execução da estratégia de expansão e, justamente, eventuais mudanças na escala de trabalho do setor.






