O setor de construção residencial brasileiro deve iniciar 2026 com desempenho resiliente, embora com sinais iniciais de pressão sobre custos que podem afetar a rentabilidade ao longo do ano. De acordo com prévias de analistas do banco Banco Safra, o primeiro trimestre teve suporte principalmente da demanda no segmento de baixa renda, impulsionada por condições mais favoráveis no programa Minha Casa Minha Vida.
Nesse segmento, as vendas cresceram cerca de 14% na comparação anual, o que deve se traduzir em expansão estimada de 27% na receita das principais companhias listadas. Ainda assim, o cenário de custos se torna mais desafiador. A alta nos preços do petróleo e os gargalos logísticos levam as empresas a rever premissas e adotar orçamentos mais conservadores, com impacto esperado nas margens brutas.
Mesmo com esse cenário, o avanço das receitas sustenta o crescimento dos lucros e a expansão do retorno sobre o patrimônio (ROE) na maior parte das empresas de baixa renda. Entre os destaques positivos, analistas citam Direcional Engenharia e Tenda, que devem registrar forte crescimento de receita e ganhos relevantes de rentabilidade, com margens mais estáveis. A Cury Construtora deve apresentar leve compressão de margem, compensada por maior reconhecimento de receita e diluição de despesas.
Na outra ponta, a Plano&Plano tende a sofrer com descontos em vendas recentes e revisões orçamentárias, o que pressiona margens e resultados. Já a MRV Engenharia segue impactada pelo desempenho da subsidiária americana Resia, com continuidade de prejuízos e maior custo financeiro associado à venda de recebíveis.
Média e alta renda mantêm resiliência, mas retorno recua em parte das empresas
No segmento de média e alta renda, o desempenho também se mantém positivo, ainda que mais moderado. As vendas permanecem resilientes, com alta estimada de 23% na comparação anual, sustentando o crescimento da receita e dos lucros. O retorno sobre o patrimônio, no entanto, apresenta pressão em parte das companhias.
Entre os destaques, a Moura Dubeux lidera o crescimento de resultados, com apoio do maior reconhecimento de receitas ligadas ao desenvolvimento de terrenos. A Cyrela apresenta resultado sólido, mas com leve queda no ROE. Já a Eztec enfrenta pressão de margens devido ao mix de lançamentos, parcialmente compensada por forte geração de caixa.
Por outro lado, a ausência de novos lançamentos no período prejudica o desempenho de Lavvi e Even Construtora, com impacto negativo sobre os lucros.
Na avaliação dos analistas do Safra, o trimestre confirma a sustentação da demanda no setor imobiliário, especialmente no segmento de baixa renda. Ainda assim, o aumento dos custos de construção se destaca como principal fator de atenção para os próximos períodos, com potencial de influenciar margens e o sentimento do mercado ao longo de 2026.






