A Rumo (RAIL3) registrou volumes transportados recordes em maio, atingindo 8,2 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), alta de 8% na comparação anual, segundo dados analisados por BTG Pactual e Bradesco BBI. O resultado representa um novo pico histórico para a companhia e reforça a leitura de forte demanda no transporte ferroviário de grãos.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Corredor Norte, que operou próximo da capacidade, enquanto o Corredor Sul manteve trajetória resiliente. A dinâmica ocorre mesmo em um cenário ainda desafiador para preços, com os volumes assumindo papel central na sustentação da tese de investimento.
Consistência
Para o BTG, o número reforça a consistência operacional da companhia e tende a melhorar o sentimento de mercado no curto prazo.
“O volume recorde em maio reforça que a Rumo segue operando com elevada utilização de capacidade, especialmente no Corredor Norte”, afirmam os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.
O banco destaca que o corredor transportou 7,0 bilhões de TKU, com forte desempenho em grãos, fertilizantes e açúcar. Mesmo sem volumes de milho no período, a operação se manteve aquecida, com destaque para o farelo de soja e fertilizantes.
“Os volumes robustos são fundamentais para compensar o cenário ainda mais fraco de preços”, dizem Marquiori, Recchia e Alkmim.
Outro ponto relevante é a perspectiva para o segundo semestre, quando o milho deve ganhar maior relevância na operação. O BTG também aponta que expansões recentes de capacidade podem sustentar crescimento adicional ao longo dos próximos trimestres.
Competitividade
Na visão do Bradesco BBI, os dados confirmam a competitividade da companhia e indicam ganho de participação de mercado.
“Os volumes recordes reforçam que os reajustes tarifários implementados aumentaram a atratividade da ferrovia frente a outras alternativas logísticas”, afirmam os analistas André Ferreira e J. Ricardo Rosalen.
O banco destaca que o crescimento foi puxado principalmente por farelo de soja e fertilizantes, que apresentaram avanços expressivos na comparação anual. Além disso, a demanda segue robusta, mesmo diante de sinais pontuais de menor exportação em algumas regiões produtoras.
“A operação segue resiliente e com capacidade já parcialmente contratada para o primeiro semestre, o que reforça a visibilidade de volumes”, dizem Ferreira e Rosalen. O fechamento antecipado de capacidade por tradings é visto como um indicativo adicional de demanda aquecida.
Perspectivas para volumes e ações
Apesar da leitura construtiva, ambas as casas destacam que o cenário ainda exige monitoramento de variáveis importantes, como preços de frete, dinâmica da safra e evolução da demanda global por grãos. Ainda assim, a combinação de volumes elevados e eficiência operacional sustenta a tese de investimento.
Para o BTG, a ação segue negociando a múltiplos descontados, o que amplia o potencial de valorização, estimado em mais de 70% (preço-alvo de R$ 23). Já o Bradesco BBI mantém visão semelhante, com recomendação de compra (preço-alvo de R$ 22 e upside de 63%) e expectativa de continuidade de volumes robustos nos próximos anos.






