A concessão da Malha Oeste expirou ontem, e a Rumo (RAIL3) assinou nesta quarta-feira (1º) uma emenda que permite manter a estrutura funcionando por até 180 dias — só que sem rodar um único trem. O BTG Pactual recebeu bem a notícia e reiterou compra para o papel em um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (2).
O texto da quinta emenda é claro: nenhum serviço de transporte ferroviário durante o período de transição. A operação se restringe a guardar ativos, vigiar, fazer manutenção essencial e monitorar.
Nenhuma taxa de concessão ou arrendamento será cobrada. Os custos do período, por sua vez, não entram no equilíbrio econômico-financeiro do contrato original — são tratados como despesa autônoma.
“Esses custos constituem um crédito a ser pago pela autoridade concedente, sem impacto relevante nos resultados após a assinatura da emenda“, explicaram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual.
Por que o mercado não deve se preocupar com o curto prazo
A estrutura foi desenhada para ser neutra. Sem taxas, sem transporte e com os gastos do período virando crédito a receber, a Rumo não deve sentir pressão no Ebitda.
“Em nossa visão, a emenda não deve ter impacto relevante nos resultados da Rumo daqui para frente”, disseram Marquiori, Recchia e Alkmim. O papel absorve a notícia sem turbulência operacional.
O acerto de contas é onde a história começa de verdade
O que vai ocupar os investidores a partir de agora é o processo de Settlement of Accounts — o acerto de contas entre a Malha Oeste e o governo federal.
Quatro frentes entram no cálculo: créditos em disputa judicial nos processos de reequilíbrio econômico-financeiro, passivos regulatórios impostos pela ANTT, créditos de investimentos já feitos mas ainda não amortizados, e os gastos da operação mínima durante a transição.
“O compromisso do governo de liquidar o cálculo de devolução de ativos é um desenvolvimento positivo”, apontaram os analistas.
Incerteza sai do horizonte, valuation segue descontado
Tirar a Malha Oeste do balanço de riscos da Rumo não é detalhe. A concessão arrastava uma fonte de incerteza que o mercado nunca conseguiu precificar com clareza – e que agora começa a se dissipar.
“Concluir o processo de saída da Malha Oeste e eliminar a incerteza sobre a economia dessa devolução é um importante processo de redução de riscos para a RAIL”, afirmaram Marquiori, Recchia e Alkmim.
O papel negocia a 6 vezes EV/Ebitda — patamar que o BTG chama de desconto sem hesitar.
“Mantemos nossa recomendação de compra para a Rumo, que negocia a um valuation descontado”, concluíram Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.
Com o ruído da Malha Oeste se dissipando e o acerto de contas em andamento, o banco vê espaço para reprecificação do papel nos próximos meses.
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