O ex-diretor executivo da Americanas, Sérgio Rial, depôs nesta terça-feira (22) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investiga a crise na Americanas (AMER3).
Rial na CPI afirmou que não encontrou qualquer indício de envolvimento dos acionistas principais da empresa na possível fraude que resultou em um déficit de mais de R$ 20 bilhões na organização.
“Posso afirmar o seguinte: não encontrei nenhum indício, nem anteriormente, nem durante, nem posteriormente a isso”, declarou, referindo-se aos três acionistas principais da empresa, Jorge Paulo Lemann, Alberto Sicupira e Marcel Telles.
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Durante sua explanação, Rial delineou o processo de sua nomeação como presidente da empresa, a detecção das irregularidades contábeis e sua saída abrupta nove dias após assumir o cargo. Ele afirmou que, durante todo esse percurso, não observou sinais de conhecimento por parte dos acionistas principais acerca da fraude ou das irregularidades.
O ex-CEO relatou que levou os diretores responsáveis por informá-lo das irregularidades no balanço financeiro para se encontrarem com o presidente do conselho de administração e um dos acionistas principais a fim de compartilharem essa informação. Segundo Rial, os diretores não insinuaram que os acionistas tivessem conhecimento.
Rial explicou que foi contratado por meio de um processo de seleção e não tinha conhecimento da extensão dos problemas da empresa.
“Renunciei junto com o diretor financeiro porque esse não era o plano que eu havia aceitado. Aceitei um desafio, não uma empresa insolvente”, afirmou.
Ele também pontuou que, devido à natureza de gestão de crise, sua abordagem foi focada em encontrar soluções ao invés de buscar culpados. “Não houve nenhum questionamento sobre quem deu a ordem ou por que foi feito”, explicou.
Ele ressaltou que, durante seu mandato na empresa, só teve conhecimento da questão da dívida bancária não contabilizada e não tinha informações sobre as alegadas fraudes em contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) e risco sacado.
Na visão dele, a empresa pode ser resgatada com o aporte de R$ 10 bilhões negociados pelos acionistas principais e a colaboração dos bancos.
Rial na CPI também sugeriu a criação da figura de “denunciante de boa-fé” no Brasil, que visa remunerar funcionários que denunciarem fraudes em empresas.






