As ações da Raízen (RAIZ4) registram forte queda, de mais de 19%, no mercado após a companhia detalhar uma proposta preliminar de reestruturação financeira que prevê conversão de parte da dívida em ações, aporte bilionário dos acionistas controladores e reorganização societária da empresa.
O movimento também ocorreu após o Jefferies reduzir o preço-alvo da Raízen de R$ 0,50 para R$ 0,41, mantendo recomendação neutra para os papéis. Segundo o banco, as medidas anunciadas pelo conselho parecem mais diluidoras para os acionistas do que o mercado inicialmente esperava.
A proposta faz parte do processo de reorganização financeira da companhia, que possui dívida total de R$ 75,3 bilhões, sendo aproximadamente R$ 65,4 bilhões incluídos no plano de reestruturação.
Conversão de dívida em ações pressiona mercado
Um dos principais pontos de preocupação para investidores é a previsão de conversão de 45% das dívidas em ações da companhia ao preço de R$ 0,25 por papel.
Segundo relatório da XP, os credores poderão converter parte dos créditos em units da Raízen, compostas por ações ordinárias e preferenciais, utilizando o mesmo preço definido para o novo aporte dos controladores.
A Shell se comprometeu a investir R$ 3,5 bilhões na operação, enquanto a Aguassanta Investimentos, veículo ligado ao empresário Rubens Ometto, poderá aportar mais R$ 500 milhões.
Ao todo, a companhia poderá receber até R$ 4 bilhões em novo capital até a conclusão da operação.
Apesar de o mercado enxergar o movimento como demonstração de comprometimento dos acionistas com o turnaround da empresa, o temor de diluição significativa das participações atuais acabou prevalecendo no pregão.
Raízen quer separar negócios em duas empresas
A proposta também prevê reorganização societária da Raízen em duas estruturas distintas após a conclusão da operação.
Uma delas ficará responsável pela distribuição de combustíveis no Brasil, sob o nome Raízen Combustíveis. A outra concentrará os ativos de energia, etanol, açúcar e operações na Argentina, formando a Raízen Energia.
Segundo a XP, o plano busca reorganizar o passivo da companhia, reforçar liquidez e alongar o perfil da dívida.
Os credores terão três opções de pagamento dentro da proposta, sendo a principal delas a conversão parcial da dívida em ações combinada com emissão de novos títulos de dívida.
Dívida reestruturada terá vencimentos longos
A nova estrutura da Raízen prevê emissões de dívida com vencimentos entre 2032 e 2035, além da possibilidade de capitalização dos juros nos primeiros anos da operação.
Na prática, a medida permite que a companhia deixe de pagar juros em caixa temporariamente, incorporando esses valores ao saldo da dívida. Em troca, os credores receberiam remuneração adicional.
Os títulos ligados à Raízen Combustíveis terão remuneração atrelada ao CDI mais 2,75 pontos percentuais no Brasil ou taxas fixas em dólar e euro. Já os papéis da Raízen Energia terão spreads menores, refletindo benefícios tributários ligados à estrutura.
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