A XP Investimentos divulgou a prévia dos resultados do primeiro trimestre de 2026 para os principais bancos incumbentes sob sua cobertura. A conclusão central é de execução desigual: enquanto o Bradesco deve brilhar, o Banco do Brasil enfrenta o cenário mais desafiador do grupo. Os analistas responsáveis são Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti.
“A sazonalidade do primeiro trimestre deve influenciar os resultados ao longo do grupo, mas a execução deve ser bastante desigual entre os nomes”, afirmam os analistas logo de saída — frase que sintetiza o tom de todo o relatório.
Bradesco lidera
O Bradesco (BBDC4) é apontado como o destaque inequívoco do trimestre. A XP projeta lucro líquido de R$ 6,6 bilhões no período, alta de 12,4% na comparação anual — o nono trimestre consecutivo de avanço gradual no resultado final.
“Esperamos que o banco entregue mais um avanço em seu processo gradual de recuperação de resultados e se diferencie frente aos pares”, destacam Guttmann, Guimarães e Meneghetti.
O NII projetado é de R$ 20,3 bilhões, crescimento de 17,6% anual, sustentado por spreads melhores com clientes e margem financeira bruta próxima de 9%. A inadimplência deve permanecer relativamente estável, em torno de 4,2%.
Banco do Brasil na contramão
No extremo oposto, o Banco do Brasil (BBAS3) deve registrar o resultado sequencial mais fraco do grupo. O lucro projetado fica em torno de R$ 3,5 bilhões, com queda relevante na comparação trimestral.
“A sazonalidade típica do período se combina ao ciclo de risco do agronegócio”, explicam os analistas, apontando provisões elevadas, NII menor e crescimento de carteira praticamente nulo.
Contudo, a XP ressalta que o número deve seguir em linha com o guidance e que “a pressão sobre as provisões deve diminuir ao longo do segundo semestre de 2026, à medida que as novas safras avancem”.

Itaú resiliente; Santander dentro do esperado
O Itaú (ITUB4) deve reportar trimestre mais fraco, porém sem surpresas negativas. A XP destaca pressão no NII por conta do menor número de dias úteis e do efeito ex-dividendos, além de leve alta no custo de risco.
“Vemos o primeiro trimestre de 2026 como um trimestre mais fraco, porém benigno, para o Itaú, sem mudanças na trajetória de lucros no médio prazo”, afirmam os analistas, que ressaltam ROE (Return on Equity) resiliente sustentado pelo menor patrimônio líquido após distribuição de proventos.
O Santander (SANB11), por sua vez, deve entregar lucro líquido de R$ 4 bilhões, alta de 3,6% anual, com ROE (Return on Equity) de 16,9%.
“Um trimestre mais fraco, mas amplamente dentro do esperado“, resume a XP, que aponta alíquota efetiva de imposto baixa, em torno de 12%, como fator de suporte ao resultado. As provisões trimestrais devem chegar a R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% na comparação trimestral, com custo de risco encerrando o período em 3,6%.
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