O BTG Pactual alertou para um risco crescente na Petrobras (PETR3; #PETR4): a acumulação de recebíveis junto ao governo federal decorrentes dos programas de subvenção de combustíveis. A análise é assinada pelos analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, que reiteram a recomendação de compra.
“Estimamos que a Petrobras terá cerca de US$ 2,5 bilhões a receber do governo até o final de junho — atrasos no reembolso poderiam representar um aumento relevante no capital de giro e potencialmente pesar sobre os dividendos trimestrais”, afirmam Almeida e Cunha.
Subvenção do diesel melhora com nova MP
Em maio, a Petrobras recebeu subvenção média de R$ 0,89 por litro de diesel, abaixo da subvenção integral de R$ 1,12 por litro, pela diferença entre os conceitos de preço de referência e preço de comercialização da ANP.
“Com a nova MP 1.363, a Petrobras passará a receber a subvenção integral de R$ 1,12 por litro de diesel a partir de junho, acrescida de R$ 0,35 por litro para compensar a retomada do PIS/Cofins — os preços líquidos realizados de diesel devem ficar entre US$ 145 e US$ 152 por barril no período”, detalham os analistas.
Para a gasolina, a subvenção de R$ 0,44 por litro entrou em vigor no final de maio, com preço líquido realizado de aproximadamente US$ 97 por barril. O BTG projeta subvenção média de diesel de R$ 1,04 por litro no segundo trimestre.
Atraso no pagamento pela ANP eleva capital de giro
O pagamento da primeira fase do programa de subvenção do diesel estava previsto para abril, mas problemas no processamento de faturas pela ANP e pela Receita Federal geraram atrasos. Os valores são corrigidos pela Selic, mas o cronograma de recebimento segue incerto.
O BTG avalia que o crescimento do Ebitda no segundo trimestre deve mais do que compensar o aumento nos recebíveis. Para distribuidores e importadores, a adesão ao programa segue baixa.
“A adesão de importadores e distribuidores deve permanecer baixa até que parâmetros regulatórios claros sejam estabelecidos — incluindo a definição de ‘precificação abusiva’ e um mecanismo bem definido de reembolso”, alertam Almeida e Cunha.
BTG reitera compra com FCFE yield de 12%
“Continuamos vendo a Petrobras como uma tese de investimento atraente, com FCFE yield (rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista) estimado em cerca de 12% em 2026 e 2027, além de valor de escassez como uma das poucas empresas de energia integradas com valuation atrativo em mercados emergentes”, concluem os analistas.
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