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Petrobras: margens de refino podem levar dividendos a até 14%, diz BTG

Petrobras: margens de refino podem levar dividendos a até 14%, diz BTG

Com 70% da produção virando matéria-prima das próprias refinarias, estatal captura a alta dos combustíveis via margens de refino, dizem os analistas

O BTG Pactual atualizou seu modelo para a Petrobras (PETR4) e estabeleceu preço-alvo de R$ 56 por ação (US$ 22 por ADR) para o fim de 2027, reiterando a recomendação de compra em relatório batizado de “The Downstream Upside” — a vantagem do refino, em tradução livre, resumo da tese que ancora a estatal nos combustíveis, e não só no petróleo bruto.

A convicção do banco se apoia em dois pilares: a produção, que deve permanecer no topo do guidance de 2026 ou até acima dele, com três novas plataformas contratadas para 2027, e a capacidade de capturar a alta dos combustíveis por meio das margens de refino, já que cerca de 70% do que a companhia extrai vira matéria-prima das próprias refinarias — com o programa de subvenção do governo ainda de pé no curto prazo.

“Acreditamos que o mercado ainda não reconheceu a relevância dos preços altos dos combustíveis para a tese de investimento”, escreveram os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha.

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O efeito prático aparece no caixa: as margens de refino mais gordas podem reduzir o ponto de equilíbrio do fluxo de caixa livre para perto de US$ 60 por barril, ante a estimativa de US$ 67 feita em janeiro de 2026 — o que permitiria cortar a dívida bruta para cerca de US$ 65 bilhões e ainda pagar dividendos com retorno estimado em 10% em 2026 e 2027.

“Se a dinâmica atual dos crack spreads se estender para o 2º semestre de 2026 e 2027, a geração de caixa e a capacidade de dividendos da Petrobras podem melhorar ainda mais, sustentando nossa recomendação de compra”, apontaram os analistas do BTG.

Por que os combustíveis seguem caros

A força das margens de refino, na leitura do banco, tem três causas: o subinvestimento recente da indústria e o fechamento de refinarias, o banimento das exportações de combustíveis da Rússia somado aos ataques de drones ucranianos a refinarias — que retiraram uma fonte-chave de diesel do mundo — e o conflito no Oriente Médio, que perturba os fluxos de petróleo e a operação das unidades.

“Esses fatores reforçam um déficit estrutural de oferta até que a operação das refinarias se normalize. Mesmo que o petróleo bruto se normalize e pressione as cotações, esperamos que os combustíveis permaneçam caros, sustentando as margens de refino”, avaliaram Almeida e Cunha.

Preços domésticos altos por mais tempo

Para a Petrobras, os desdobramentos são três: lucros fortes no curto prazo, ajudados pelas subvenções do governo, potenciais revisões para cima nas projeções do consenso para o 2º semestre de 2026 e 2027, e números melhores no plano de negócios da estatal, que costuma sair entre o fim de novembro e o início de dezembro.

“Mesmo em um cenário de normalização mais rápida do que o esperado dos crack spreads globais, a Petrobras pode precisar manter os preços domésticos dos combustíveis mais altos por mais tempo, em vez de seguir a tendência global”, ponderaram os analistas.

A razão é regulatória: durante parte do ano, os preços praticados pela companhia ficaram abaixo do piso de sua política de preços de combustíveis, o que deve exigir um período de valores mais altos para realinhar a prática à regra.

Dividendos de até 14% no cenário otimista

Nas contas conservadoras do banco, a ação já embute retorno em dividendos de cerca de 10% para 2026 e 2027. No cenário otimista para o Brent e para as margens de refino, porém, o rendimento do fluxo de caixa ao acionista de 2027 chegaria a 22%, com dividendos na casa de 14% — tudo isso com o ponto de equilíbrio perto de US$ 60 por barril mesmo sob uma premissa maior de investimentos.

“Acreditamos que o valuation atual não captura totalmente a resiliência de lucros proporcionada pelo modelo integrado da Petrobras”, concluíram Almeida e Cunha.