Os preços do minério de ferro mantêm relativa resiliência, apesar de sinais crescentes de enfraquecimento no curto prazo, segundo análise da XP Investimentos. Após sustentação ao longo de maio, as cotações recuaram para cerca de US$ 101 por tonelada no início de junho, refletindo a combinação de demanda fraca na China e aumento sazonal da oferta global.
O principal fator de pressão continua sendo o lado da demanda, especialmente na China, onde os indicadores do setor siderúrgico permanecem em território contracionista. O PMI do aço segue apontando retração da atividade, enquanto o consumo doméstico mostra fragilidade persistente.
“A demanda permanece fraca, com o PMI do aço em contração e consumo doméstico ainda limitado”, afirmam os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano. Esse cenário tem sido parcialmente compensado pelo bom desempenho das exportações de aço, que seguem em níveis elevados.
Ainda assim, fatores sazonais e estruturais devem continuar limitando uma recuperação mais forte. “Chuvas no sul da China, altas temperaturas no norte e a fraqueza do setor imobiliário devem restringir uma retomada sustentada da demanda”, destacam os analistas.
Oferta confortável e sem gargalos relevantes
Do lado da oferta, o mercado segue amplamente abastecido, reduzindo o risco de pressões altistas mais consistentes nos preços. Os embarques australianos continuam elevados, enquanto novos projetos começam a ganhar tração gradualmente.
“As condições de oferta permanecem confortáveis, sustentadas por volumes fortes da Austrália”, apontam Laghi, Nippes e Urbano. Além disso, o projeto de Simandou avança, com aumento gradual da produção, embora ainda em estágio inicial.
Os estoques portuários na China também reforçam essa leitura, permanecendo em níveis elevados. Esse quadro indica que a disponibilidade de minério não é um fator limitante no momento, mesmo com ruídos pontuais em negociações entre grandes players do setor.
Custos sustentam preços em meio à fraqueza
Mesmo diante da demanda fraca, os preços têm encontrado suporte em fatores de custo, como frete mais caro e energia mais elevada. Esse componente tem sido determinante para evitar quedas mais acentuadas nas cotações.
“A resiliência recente está mais ligada a pressões de custos do que a uma recuperação relevante da demanda”, afirmam os analistas. Esse suporte, no entanto, é visto como limitado, já que não está associado a um fortalecimento estrutural do consumo.
Além disso, a melhora na rentabilidade das usinas siderúrgicas tem permitido a continuidade da compra de matérias-primas, mesmo em um ambiente menos favorável para o consumo final.
Faixa de preços deve prevalecer no curto prazo
Diante desse equilíbrio entre demanda fraca e oferta confortável, a XP vê os preços do minério de ferro operando dentro de uma faixa relativamente estreita no curto prazo.
“Seguimos vendo o minério de ferro negociando em um intervalo próximo de US$ 100 a US$ 105 por tonelada”, dizem Laghi, Nippes e Urbano. A ausência de catalisadores claros, tanto do lado da demanda quanto da oferta, tende a manter o mercado lateralizado.






