Home
Notícias
Ações
Frete rodoviário dita competitividade da Rumo no agro

Frete rodoviário dita competitividade da Rumo no agro

Custos do transporte rodoviário ganham protagonismo na formação de preços do frete ferroviário no agro

A dinâmica do frete rodoviário segue no centro da tese de investimento da Rumo (RAIL3), segundo análise do BTG Pactual. Como principal operadora ferroviária de grãos no Brasil, a companhia define seus preços com base nos custos do transporte por caminhões, o que torna essa variável determinante para sua competitividade e crescimento de volumes.

Para os analistas, compreender os vetores que influenciam o frete rodoviário é essencial para avaliar a capacidade de precificação da Rumo.

O custo do transporte rodoviário funciona como a principal referência para o frete ferroviário, influenciando diretamente o posicionamento competitivo da Rumo”, afirmam Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim.

Na prática, o frete rodoviário é formado por uma equação que incorpora insumos como diesel, manutenção dos caminhões, salários de motoristas e pedágios. Alterações nesses componentes são rapidamente repassadas aos preços finais, criando uma dinâmica relativamente automática de reajustes.

Publicidade
Publicidade

O diesel, em particular, é o principal vetor de custo, podendo representar até metade do frete em rotas longas. Essa exposição torna o transporte rodoviário mais sensível a choques de preços de combustível, o que, na leitura do BTG, tende a favorecer estruturalmente a ferrovia.

“A maior exposição do transporte rodoviário ao diesel amplia a atratividade relativa da ferrovia em cenários de pressão de custos”, dizem os analistas.

Oferta, demanda e gargalos logísticos

Além dos custos, o frete rodoviário também responde à dinâmica de oferta e demanda no escoamento de grãos. Em regiões-chave como Mato Grosso, a capacidade logística cresce de forma lenta e em ciclos longos, o que gera períodos alternados de escassez e folga.

Quando grandes safras coincidem com limitações de infraestrutura, os preços de frete tendem a subir com força. Por outro lado, a entrada de nova capacidade pode aliviar pressões, ainda que de forma gradual. Nesse contexto, o BTG destaca o papel da Rumo como principal agente de expansão logística na região.

“A expansão da capacidade segue concentrada e gradual, com poucos players adicionando infraestrutura de forma consistente”, afirmam Marquiori, Recchia e Alkmim. Um exemplo citado é o novo terminal de Campo Verde, que reforça a presença da companhia no principal corredor agrícola do país.

Essa assimetria entre crescimento de demanda e oferta de infraestrutura tende a sustentar, no médio prazo, níveis elevados de frete rodoviário, criando um ambiente estruturalmente favorável para o transporte ferroviário.

Mudança na sazonalidade do frete

Um terceiro fator relevante apontado pelo BTG é a mudança no timing de contratação dos serviços logísticos. Historicamente concentrada nos picos de safra, a demanda por transporte passou a se distribuir de forma mais homogênea ao longo do ano.

Esse movimento é explicado pela expansão da capacidade de armazenagem, que permite aos produtores postergar a venda e o escoamento da produção. Como resultado, a necessidade de transporte deixa de estar concentrada em janelas curtas.

“A contratação de frete tem se tornado mais distribuída ao longo do ano, reduzindo picos de demanda e suavizando a volatilidade dos preços”, dizem os analistas.

Embora essa mudança reduza oscilações extremas, ela também contribui para uma demanda mais constante por serviços logísticos, o que beneficia operadores estruturados como a Rumo.

No consolidado, o BTG avalia que o conjunto desses fatores aponta para uma tendência estrutural de fretes rodoviários mais elevados ou pressionados, reforçando a atratividade da ferrovia.

“Se os custos rodoviários permanecerem estruturalmente pressionados, vemos uma tendência positiva para os preços e volumes da Rumo”, concluem Marquiori, Recchia e Alkmim.