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OceanPact está pronta para capturar novo ciclo de alta no setor offshore, diz BTG

OceanPact está pronta para capturar novo ciclo de alta no setor offshore, diz BTG

BTG Pactual (BPAC11) inicia a cobertura da companhia com recomendação de compra

A OceanPact (OPCT3) está entrando em uma nova fase de sua história. Essa é a principal conclusão do BTG Pactual (BPAC11), que iniciou a cobertura da companhia com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 13,50 por ação, valor que pode chegar a R$ 14,90 ao considerar potenciais ganhos relacionados a disputas judiciais com a Petrobras.

Para o banco, a empresa emerge da fusão com a CBO como a maior plataforma brasileira de embarcações de apoio offshore (OSVs), posicionada para capturar um ciclo favorável de crescimento em um dos mercados mais restritos e protegidos do mundo.

Segundo os analistas, o mercado ainda enxerga a OceanPact por uma ótica associada ao período pós-IPO, marcado por preocupações com liquidez das ações, alavancagem financeira e capacidade de execução. No entanto, o BTG acredita que essa percepção já não reflete a realidade operacional da companhia após a combinação de negócios com a CBO.

A tese está baseada em três fatores principais: escassez de embarcações, demanda crescente por serviços offshore e aumento gradual das diárias contratadas pelas embarcações. Esse cenário deve impulsionar os resultados da empresa e acelerar a geração de caixa nos próximos anos.

Mercado offshore aquecido favorece reajuste de contratos

O banco destaca que a atividade offshore no Brasil continua em expansão, impulsionada pela carteira de novos projetos da Petrobras, pela entrada de petroleiras internacionais e independentes e pelo avanço das atividades de descomissionamento de plataformas.

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Ao mesmo tempo, a oferta global de embarcações permanece limitada. A carteira mundial de novas construções segue reduzida, enquanto a capacidade dos estaleiros encolheu nos últimos anos. Para o BTG, as tarifas diárias ainda não atingiram níveis suficientes para estimular um novo ciclo robusto de construção de navios, mantendo o mercado apertado.

No Brasil, esse cenário é reforçado por regras regulatórias que priorizam embarcações de bandeira nacional e por exigências técnicas da Petrobras, fatores que tornam os ativos locais ainda mais valiosos.

Nesse contexto, a OceanPact já começou a renovar contratos a preços mais elevados e deverá continuar esse processo ao longo de 2026 e 2027, o que tende a impulsionar significativamente os resultados.

Fusão com a CBO cria uma nova OceanPact

A incorporação da CBO é vista pelo BTG como um divisor de águas para a companhia. A operação cria uma plataforma com 73 embarcações, ampliando escala, diversificando capacidades operacionais e fortalecendo a presença da empresa nos segmentos de PSV, AHTS e RSV. Além disso, a nova estrutura apresenta um perfil financeiro mais robusto, melhores condições de financiamento e vantagens competitivas relacionadas à capacidade de manutenção e construção naval.

Embora o banco não inclua sinergias da fusão em sua avaliação principal, estima que elas possam gerar um valor presente líquido de aproximadamente R$ 540 milhões, equivalente a cerca de R$ 1,10 por ação. Em termos de geração de caixa, isso representaria aproximadamente R$ 115 milhões adicionais por ano.

Crescimento de caixa e dividendos no horizonte

Com a renovação dos contratos em patamares mais elevados, o BTG projeta uma forte expansão da geração de caixa livre da companhia.

As estimativas apontam para um rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE Yield) de cerca de 13% em 2027 e de 20% em 2028. Já o dividend yield projetado alcança aproximadamente 13% em 2027 e 16% em 2028.

Caso sejam distribuídos aos acionistas valores decorrentes dos chamados créditos UP relacionados à Petrobras, os retornos podem ser ainda maiores, chegando a dividend yields de 22% em 2027 e 27% em 2028.

O banco também acredita que a companhia conseguirá reduzir gradualmente sua alavancagem financeira, fortalecendo ainda mais sua capacidade de remunerar os acionistas.

Ação negocia com desconto relevante

Apesar das perspectivas favoráveis, o BTG avalia que a OceanPact continua negociando com desconto significativo em relação a concorrentes internacionais.

Pelas projeções do banco, a companhia negocia a cerca de 4,9 vezes o valor da firma sobre EBITDA estimado para 2026 e 4,1 vezes para 2027, múltiplos entre 28% e 37% inferiores aos observados em empresas globais comparáveis.

Na visão dos analistas, o desconto também aparece quando se observa o valor dos ativos. A nova OceanPact está avaliada em aproximadamente US$ 19 milhões por embarcação, abaixo dos cerca de US$ 34 milhões por navio implícitos em transações recentes do setor e inferior aos custos de reposição ou aquisição de embarcações semelhantes.

Para o BTG, à medida que o mercado passe a reconhecer os benefícios da fusão com a CBO, a continuidade do ciclo de reajuste das diárias e a conversão do crescimento operacional em geração de caixa e dividendos, esse desconto tende a diminuir, sustentando a recomendação de compra para as ações da companhia.