O veto da União Europeia às carnes brasileiras, que entra em vigor em setembro de 2026, deve ter impacto limitado sobre o setor, mas com efeitos relevantes sobre a rentabilidade das empresas. A avaliação é da Genial Investimentos em um relatório divulgado neste domingo (7), que destaca um risco concentrado no mix de produtos, e não no volume exportado.
“O impacto agregado é administrável e desigual entre os nomes”, afirma o analista Lucas Vello.
Segundo o relatório, o mercado potencial afetado somou cerca de US$ 1,8 bilhão em 2025, valor considerado pequeno diante da escala das companhias. O diferencial está no perfil premium da demanda europeia, que tende a pagar mais por cortes selecionados.
Nesse sentido, Vello ressalta que “o ponto sensível é de mix e margem, não de volume”.
A possibilidade de redirecionar exportações para outros mercados e para plantas fora do Brasil surge como fator de compensação parcial, especialmente para empresas com atuação internacional.

JBS e Minerva mostram resiliência
Entre as companhias analisadas, JBS (JBSS32) e Minerva (BEEF3) aparecem como as mais protegidas. A diversificação geográfica da JBS reduz significativamente a exposição direta ao veto europeu.
“É mais ruído do que tese”, avalia Vello sobre a companhia.
A estimativa da Genial aponta que apenas cerca de 1% da receita consolidada da JBS está diretamente exposta à restrição, com possibilidade de realocação para outras regiões ou produção local fora do Brasil.
Já a Minerva, apesar de concentrada em carne bovina, possui operações relevantes em países como Argentina, Paraguai e Uruguai — todos ainda habilitados a exportar para a União Europeia.
Essa estrutura garante maior flexibilidade logística e comercial, permitindo à empresa redirecionar parte relevante da produção afetada.

MBRF concentra maior risco, especialmente no frango
A situação mais delicada recai sobre a MBRF (MBRF3), principalmente devido à operação de aves da BRF. Diferentemente do segmento bovino, que pode ser parcialmente redirecionado, o frango enfrenta limitações estruturais.
“O frango fica preso: a BRF concentra o abate de aves no Brasil e não tem unidade equivalente habilitada fora do país”, afirma Vello.
A exposição total da MBRF ao veto europeu é estimada em cerca de 2,5% da receita, sendo 1% em bovinos e 1,5% em frango.
Além disso, o timing da medida amplia o impacto, já que o mercado europeu vinha impulsionando resultados recentes da companhia.
“O veto reverte em parte esse ganho recente”, conclui o analista.
Diante disso, embora o efeito geral sobre o setor seja considerado administrável, a distribuição dos impactos reforça diferenças relevantes entre os players — com destaque para o desafio maior da MBRF no segmento de aves.






