O mercado está subestimando um dos maiores vetores de crescimento do Nubank (ROXO34). Essa é a tese central dos analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do Banco Safra, em análise detalhada divulgada nesta quarta-feira (11) à noite sobre a oportunidade do banco digital no segmento de pequenas e médias empresas – um mercado estruturalmente subpenetrado e ainda dominado pelos incumbentes tradicionais.
O ponto de partida é o tamanho do mercado.
“O crédito para PMEs no Brasil permanece estruturalmente subpenetrado e concentrado nos players incumbentes (grandes bancos). Com base em dados do Banco Central de outubro de 2025, o total de financiamentos para PMEs soma cerca de R$ 715 bilhões, com capital de giro, cartões e cheque especial representando aproximadamente 91% dessa oportunidade”, apontam os analistas.
Ao focar em micro e pequenas empresas – onde as vantagens do Nubank em distribuição e dados são mais evidentes -, o Safra estima um mercado endereçável de R$ 370 bilhões, que considera “o segmento mais realista e executável para o Nubank no médio prazo.”
Avenida de crescimento
A assimetria entre o potencial e a posição atual do banco é o argumento mais poderoso da análise.
“O Nubank atualmente serve cerca de 4 milhões de clientes PME ativos, mas sua carteira de crédito é de apenas R$ 4,2 bilhões — menos de 1% do TAM (Mercado Endereçável Total) implícito, evidenciando ampla pista de penetração mesmo sem expandir significativamente além da base atual”, destacam Vaz, Guedes e Nobre.
A carteira quase dobrou em 2025 na comparação anual, com o Nubank emergindo como referência entre as instituições financeiras desafiantes no segmento.
A rentabilidade projetada é o dado que mais chama atenção.
“Para o Nubank em 2030, vemos um caminho para ROE (Retorno sobre os Ativos) de aproximadamente 100%, impulsionado principalmente por custo de atendimento estruturalmente menor, eficiência operacional e menor custo de funding”, projetam os analistas.
O exercício assume taxa de empréstimo mensal de 5%, funding a 100% do CDI, custo de risco de 25% e alavancagem de 8 vezes.
Na tradução para valuation, o Safra estima que a vertical PME pode gerar R$ 4,1 bilhões de lucro líquido até 2030.
“Aplicando um múltiplo de preço sobre o lucro (P/L) de 6,1 vezes, chegamos a um valor implícito de R$ 25 bilhões para a vertical PME, representando 6,4% de upside frente à avaliação atual da ação”, concluem os analistas – um vetor de criação de valor que, segundo o Safra, o mercado ainda não está precificando.
O banco tem recomendação de compra para as ações do Nubank, com preço-alvo de US$ 22 para os papeis negociados em NY. O potencial de valorização é de 52%.






