A Natura (NATU3) surpreendeu negativamente o mercado com uma prévia de resultados que revelou queda de 9% a 10% na receita líquida consolidada do segundo trimestre, muito abaixo da estimativa do BTG Pactual de recuo de apenas 2%.
O banco manteve recomendação neutra e aguarda sinais concretos de execução antes de mudar a visão.
“O nível de disrupção visto no segundo trimestre levanta questões sobre execução e torna a recuperação da receita em 2026 mais desafiadora“, avaliaram os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual.
A receita deve ficar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, ante estimativa do banco de R$ 5,6 bilhões.
Os desafios que a Natura precisa resolver simultaneamente são:
1. Normalizar a disponibilidade de produtos após a escassez causada pela estabilização do novo sistema SAP e reestruturação da cadeia de suprimentos.
2. Recuperar a produtividade das consultoras, que caiu por conta da falta de produtos e do ambiente macroeconômico adverso.
3. Acelerar os canais D2C, após a desaceleração causada pelas novas políticas de preços entre canais.
4. Reconstruir o sell-in das franquias sob o novo modelo contratual, que reduziu momentaneamente os estoques nas lojas.
5. Compensar o efeito temporário do ICMS-ST em São Paulo, que concentrou impacto fiscal no trimestre.
A empresa anunciou iniciativas para enfrentar esses pontos, incluindo reconfigurações na cadeia de suprimentos, ajustes nos incentivos da força de vendas, expansão para novos marketplaces e aceleração da plataforma Minha Loja.
A margem Ebitda deve melhorar sequencialmente ante os 7,3% do primeiro trimestre, com menores despesas de reestruturação e ganhos de eficiência do novo modelo operacional.
O BTG, contudo, não muda de posição.
“O caso de investimento está se tornando cada vez mais dependente da capacidade da Advent de trazer execução mais forte, renovar a gestão onde necessário, repensar a estratégia de canais de vendas e restaurar a alavancagem operacional do negócio”, disseram Cesquim, Guanais e Cendon.
Para o banco, apesar da agenda de desinvestimentos e reestruturação corporativa recente, a tese de investimento ainda enfrenta desafios relevantes para reaceleração da receita, melhora de rentabilidade e geração de caixa sustentável.
“Aguardamos melhorias sustentadas no desempenho operacional antes de nos tornarmos mais construtivos com a história”, concluíram os analistas Yan Cesquim, Luiz Guanais e Beatriz Cendon, do BTG Pactual, mantendo a recomendação neutra para Natura.
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