A Minerva (BEEF3) pode entrar em um momento de maior distribuição de capital aos acionistas, avalia o banco Safra em um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (18).
Isso acontece porque empresa adota uma política de dividendos com um índice de distribuição de 50% sempre que a alavancagem cair abaixo do limite de 2,5 vezes.
“Como a prioridade da administração é a redução da dívida bruta, deve haver espaço para um aumento na distribuição de dividendos ou na recompra de ações”, apontam os analistas.
A partir dessa diretriz, o Safra avalia que a Minerva caminha para um ciclo mais equilibrado entre desalavancagem e retorno ao acionista, sustentando uma visão construtiva para a companhia em meio ao atual cenário global de proteínas.
Na leitura do banco, a empresa está bem posicionada para se beneficiar da forte demanda internacional por carne bovina, especialmente considerando as restrições de oferta em diferentes mercados produtores e a sua relevante plataforma exportadora na América do Sul.
Demanda global sustenta exportações
A dinâmica do comércio global de carne continua favorável à Minerva, ainda que com ajustes regionais ao longo do ano. Na China, compradores anteciparam importações no primeiro semestre de 2026 para formação de estoques, o que deve reduzir o ritmo de compras no curto prazo.
Mesmo assim, limitações de oferta em países exportadores como Uruguai e Argentina tendem a pressionar os preços de importação para cima, ajudando a compensar eventuais quedas de volume.
Além disso, os Estados Unidos surgem como um vetor relevante de demanda, diante da queda da produção doméstica. Esse movimento deve sustentar os embarques da companhia, ainda que com um mix de produtos concentrado em cortes de menor valor agregado.
Margens resilientes e desalavancagem em curso
Apesar do ambiente mais desafiador do lado da oferta, o Safra projeta estabilidade nas margens da Minerva ao longo de 2026, em torno de 8,0% a 8,5%, em linha com os níveis observados no início do ano.
O Ebitda deve permanecer estável ou apresentar leve crescimento na comparação anual, refletindo a capacidade de adaptação da companhia ao cenário global. A diversificação geográfica das operações segue como um dos principais diferenciais competitivos.
Outro ponto central é a trajetória de desalavancagem. O banco projeta que a relação dívida líquida/EBITDA deve convergir para um intervalo entre 2,3 vezes e 2,5 vezes até o fim do ano, abrindo espaço para uma política de capital mais flexível.






