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Mercado tem R$ 1,2 trilhão que ainda pode ir à Bolsa brasileira

Mercado tem R$ 1,2 trilhão que ainda pode ir à Bolsa brasileira

A relação entre a capitalização do Ibovespa e o estoque de ativos financeiros representado pelo M4 segue abaixo da média da última década

O Ibovespa está em alta, mas o mercado brasileiro está longe de viver um momento de euforia. Essa é a tese central do Banco Safra em análise que identifica uma dicotomia pouco discutida: enquanto o índice acumula valorização expressiva, os indicadores estruturais de participação do investidor local seguem deprimidos.

A primeira indicação de que o mercado local não está vivendo um momento de euforia é o reduzido número de ofertas públicas e o fato de que o volume captado por fundos permanece no menor nível dos últimos 15 anos”, aponta o Safra.

Em um ambiente genuinamente aquecido, como o de 2019 a 2021, seria natural observar uma janela robusta de IPOs e captações — o que simplesmente não está acontecendo.

Ofertas públicas e volume captado (em bilhões de reais)

O segundo sinal é estrutural.

“A capitalização total de mercado cresceu, mas o volume médio diário negociado não acompanhou essa expansão”, observa o banco.

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Historicamente, as duas métricas caminham juntas. Desde o primeiro trimestre de 2023, porém, o volume diário seguiu em declínio enquanto a capitalização se mantinha — uma divergência que sugere um mercado concentrado em poucos nomes e com participação doméstica restrita.

R$ 1,2 trilhão “escondidos”

O terceiro indicador é o mais revelador. A relação entre a capitalização do Ibovespa e o estoque de ativos financeiros representado pelo M4 — agregado monetário amplo que inclui títulos públicos, privados e outros instrumentos — segue abaixo da média da última década.

“Mesmo assumindo um M4 constante e comparando com a capitalização atual do Ibovespa, o indicador ainda estaria próximo das mínimas, em torno de 27% — 1,2 desvio-padrão abaixo da média de dez anos”, calcula o Safra.

A implicação é direta: se esse indicador convergir para a média histórica, o potencial de entrada de capital na bolsa brasileira seria de R$ 1,2 trilhão.

Para contextualizar a magnitude, toda a alta da bolsa em 2025 foi atribuída a um fluxo estrangeiro líquido de R$ 29,1 bilhões — menos de 3% desse potencial. O espaço para o investidor doméstico ainda está, em grande medida, por ser ocupado.

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