A escalada das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, que resultou no fechamento do Estreito de Ormuz e na disparada dos preços do petróleo para a casa dos US$ 100 por barril, gerou uma onda de desconfiança sobre o setor de infraestrutura no Brasil, impactando as ações da EcoRodovias (ECOR3) e Motiva (MOTV3).
No entanto, uma análise recente da XP Investimentos sugere que o pessimismo do mercado com as duas empresas foi desproporcional à realidade dos riscos, abrindo uma janela de oportunidade para investidores.
O principal receio dos mercados reside no impacto do asfalto (Cimento Asfáltico de Petróleo – CAP), insumo derivado da commodity, nos cronogramas de investimento das concessionárias.
Segundo os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, “os investidores têm demonstrado preocupação recente com possíveis estouros de capex em rodovias, uma vez que uma parcela relevante dos compromissos atualmente elevados depende de insumos derivados de petróleo (CAP) em meio à alta dos preços do petróleo”.
(Imagem: Divulgação/ Ecorodovias)
Queda excessiva
Apesar da pressão nos custos, a XP avalia que a punição recente das ações – com quedas de 6% para Motiva e 22% para a EcoRodovias desde o início do conflito em março – é excessiva.
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Conforme destacam Laghi, Urbano e Nippes, “vemos essa reação como exagerada (isto é, precificando em grande parte um cenário de pior caso), uma vez que a execução do capex é diluída ao longo da vida das concessões de longo prazo, e os impactos efetivos no fluxo de caixa estão sujeitos a mecanismos de reequilíbrio”.
A instituição recalculou seu índice proprietário de custo-proxy para medir a exposição real das empresas ao choque de oferta.
Os analistas afirmam: “atualizamos nosso índice proprietário de custo‑proxy para reavaliar os potenciais riscos de estouro de capex em meio à recente alta do petróleo”. O estudo estimou um risco de R$ 1,7 bilhão a R$ 2,2 bilhões, valores considerados administráveis e inferiores aos gargalos vistos durante a guerra entre Rússia e Ucrânia em 2021/22.
Oportunidade de compra
A XP reforça que o cenário atual ignora fatores de proteção das companhias.
Para a equipe de análise, “acreditamos que mitigadores relevantes não estão refletidos no valuation, a saber: a normalização historicamente rápida dos preços do petróleo quando os riscos de disrupção diminuem, e os potenciais mecanismos de reequilíbrio”.
O destaque maior recai sobre a EcoRodovias, que sofreu um impacto maior no preço de tela. Ao concluir a análise, os especialistas da XP pontuam que “enxergamos a recente queda como criando um ponto de entrada atrativo, particularmente para a ECOR, que negocia a uma TIR de equity atrativa de ~14,5% após a recente performance inferior”.