Os efeitos dos medicamentos GLP-1 devem representar um claro vetor positivo para proteínas e ajudar a MBRF (MBRF3), avalia o banco Safra em um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (18).
Os analistas Ricardo Boiati, Rafael Une e Thiago Marmo entendem que uma mudança estrutural na dieta associada à adoção desses medicamentos tende a sustentar a demanda por alimentos ricos em proteína, embora esse mercado ainda esteja em estágio inicial.
“Observações do mercado dos Estados Unidos indicam uma redução relevante na elasticidade-preço da carne, à medida que consumidores passam a destinar maior parcela da renda a dietas mais proteicas“, ressaltam.
Para acompanhar essa tendência, a companhia tem reformulado seu portfólio, elevando o teor de proteína e incorporando colágeno em produtos processados, adaptando sua oferta a essa mudança estrutural de consumo.
Recomendação de compra
A leitura do Safra para a MBRF é construtiva, sustentada por uma demanda global robusta que compensa fragilidades pontuais em mercados-chave. A instituição mantém recomendação outperform (compra) e preço-alvo de R$ 30,50, destacando a resiliência operacional do grupo mesmo diante de margens mais fracas nos Estados Unidos, cenário doméstico ainda desafiador e tensões geopolíticas.
Nas operações internacionais da BRF, os volumes seguem em níveis recordes, impulsionados pela demanda global consistente e preços elevados, especialmente no Oriente Médio.
A região mantém rentabilidade robusta, mesmo diante de gargalos logísticos. Os preços médios avançaram cerca de US$ 1.000 por tonelada, superando o aumento de custos de logística, o que preserva margens positivas.
No Brasil, por outro lado, o consumo ainda mostra fragilidade, embora com sinais de melhora sequencial. O Safra aponta que os volumes de alimentos processados crescem gradualmente, mas com pressão sobre preços devido ao excesso de oferta de carne suína, ainda que a MBRF seja menos afetada por sua cadeia integrada.

Operações de carne bovina seguem resilientes
A divisão National Beef enfrenta um ambiente mais desafiador, com oferta restrita de gado e margens pressionadas nos Estados Unidos, embora o banco veja estabilidade no curto prazo e recuperação gradativa até 2028.
Questões sanitárias recentes devem ter impacto limitado, enquanto mudanças regulatórias, como uma eventual abertura para importação de gado do México, teriam efeito marginal. O cenário aponta para ajustes estruturais no setor, com possível fechamento de plantas de menor escala.
Na América do Sul, a operação de carne bovina tende a permanecer resiliente, com exportações fortes puxadas pela demanda norte-americana, mesmo diante da redução do abate no Brasil. Ganhos de eficiência operacional seguem apoiados pela integração de insumos como DDG na alimentação do gado.
Custos e ambiente operacional sob controle
Apesar de pressões inflacionárias emergentes, sobretudo ligadas ao petróleo e à logística, o Safra avalia que o impacto sobre a estrutura de custos da MBRF deve ser limitado.
Mudanças regulatórias no mercado de trabalho também estão no radar, especialmente a possível redução da jornada semanal. Ainda assim, o banco entende que o risco é mais de execução do que estrutural, com repasses de custos ao longo da cadeia.
“A companhia demonstra capacidade de absorver pressões de custo sem comprometer significativamente suas margens”, avalia o Safra, ressaltando a disciplina operacional como diferencial competitivo.
Alocação de capital e perspectiva
A gestão mantém foco na disciplina financeira, com prioridade para redução do endividamento e fortalecimento do balanço.
A alavancagem deve permanecer próxima de 3,3 vezes neste ano, sem expectativa de melhora significativa no curto prazo, mas dentro de patamar considerado administrável pelo banco.
Para o Safra, a combinação entre demanda global aquecida, adaptação às tendências de consumo e disciplina de capital sustenta uma visão positiva para a companhia, mesmo em um ambiente ainda volátil.
“A demanda global permanece sólida e segue compensando fragilidades pontuais em mercados específicos”, observa o banco. Em complemento, destaca que “a adoção de GLP-1 representa um vetor estrutural relevante para o aumento do consumo de proteína”.
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