O BTG Pactual divulgou prévia dos resultados de M.Dias Branco (MDIA3) e Camil (CAML3), ambas com divulgação prevista para 7 de maio. Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla traçam cenários distintos para as duas companhias — e o ambiente macroeconômico é o pano de fundo que explica boa parte da diferença.
“O ambiente de demanda ainda parece desafiador em 2026, com o efeito do corte do imposto de renda aprovado no ano passado sendo mais suave do que o esperado“, apontam os analistas — um alerta que vale para todo o setor de alimentos e bebidas.
M.Dias Branco: melhora pontual, risco à frente
Para a M.Dias Branco, o primeiro trimestre de 2026 deve trazer algum alívio em relação ao período anterior.
O BTG projeta receita de R$ 2,4 bilhões, alta de 7% na comparação anual, sustentada por crescimento de 6% nos volumes à medida que a companhia avança na recuperação de participação de mercado em biscoitos e massas. O Ebitda estimado é de R$ 275 milhões, com margem de 11,6% — expansão de 390 pontos-base na comparação anual.
Contudo, o horizonte mais distante preocupa.
“Trigo e óleo de palma, que historicamente respondem por cerca de 80% dos custos de matéria-prima da M.Dias Branco, estão subindo nos últimos meses, e custos de frete mais elevados devem aumentar ainda mais a pressão”, alertam Duarte e Guttilla.
Um real mais forte ajuda a mitigar o impacto, mas a combinação de custos crescentes com um consumidor ainda pressionado torna difícil repassar aumentos de preço. O BTG mantém recomendação neutra para o papel, que negocia a 10 vezes o lucro estimado para 2026.
Camil: pior fase ficou para trás
A Camil atravessou 2025 sob forte pressão. O preço médio do arroz despencou de R$ 109 por saca em 2024 para R$ 65 em 2025 — queda de 41% —, derrubando receita e comprimindo margens.
“O último trimestre do ano provavelmente marcou o ponto mais baixo dos resultados”, avaliam os analistas, que projetam receita de R$ 11,1 bilhões no ano fiscal e Ebitda de R$ 901 milhões.
Para 2026, entretanto, o cenário muda. A queda nos preços levou a uma retração de 13% na produção de arroz, criando condições para recuperação.
“Esperamos novas reduções de oferta na próxima safra, o que deve manter a tendência de alta nos preços por mais tempo”, projetam os analistas, que estimam receita de R$ 11,4 bilhões e Ebitda de R$ 963 milhões para o ano.
Mesmo após alta de 31% desde a última reiteração de compra, o BTG mantém outperform (compra) para Camil, com FCFE yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) de 12%.
“A ação não parece mais tão assimétrica quanto antes, mas os múltiplos ainda são atrativos”, concluem Duarte e Guttilla.






