A Light (LIGT3) pode elevar o Ebitda de sua distribuidora dos atuais R$ 1,2 bilhão registrados nos últimos 12 meses para cerca de R$ 2,3 bilhões após a próxima revisão tarifária. Além disso, há um potencial adicional de aproximadamente R$ 400 milhões, caso avancem mudanças regulatórias relacionadas ao reconhecimento de perdas em áreas de alto risco e da inadimplência, o que reforça uma perspectiva de valorização para a companhia.
Após o recente aumento da demanda de investidores pela ação, impulsionado pelo processo de aumento de capital em andamento, a XP revisou suas projeções para reduzir as incertezas envolvendo a revisão tarifária e as discussões regulatórias. O banco atualizou seu preço-alvo para o fim de 2027 para R$ 5,50 por ação, ante R$ 6,30 anteriormente estimados para o final de 2026, e manteve a recomendação de compra para os papéis.
Revisão tarifária
Segundo a XP, a revisão tarifária deve representar o principal catalisador para a recuperação operacional da companhia. A expectativa é que o percentual de perdas regulatórias reconhecidas nas tarifas avance dos atuais 41% para um intervalo entre 55% e 60%, além de uma elevação do WACC regulatório e de possíveis ajustes no Opex regulatório.
Na avaliação dos analistas, a combinação desses fatores pode acrescentar cerca de R$ 1,1 bilhão ao Ebitda da distribuidora, reduzindo significativamente a diferença entre o resultado efetivo e o Ebitda regulatório, atualmente estimada em R$ 1,1 bilhão.
Potencial adicional
O relatório também destaca que as discussões conduzidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre uma nova metodologia para o tratamento de perdas em áreas de alto risco e a atualização dos critérios para reconhecimento da inadimplência regulatória podem gerar um Ebitda adicional de aproximadamente R$ 400 milhões.
No cenário-base da XP, entretanto, apenas metade desse potencial já foi incorporada às estimativas, refletindo uma postura conservadora enquanto o processo regulatório permanece em andamento.
Os analistas também revisaram suas projeções financeiras após os resultados do primeiro trimestre de 2026. Entre as mudanças, reduziram a estimativa da Base de Remuneração Regulatória (RAB) líquida de R$ 13,5 bilhões para R$ 11 bilhões, após reavaliarem os investimentos da companhia. Por outro lado, passaram a considerar cerca de R$ 4 bilhões em prejuízos acumulados, que poderão reduzir o pagamento de impostos em caixa nos próximos anos.
Apesar da revisão no preço-alvo, a XP avalia que as ações continuam negociadas em um patamar atrativo, equivalente a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 18,5% e a cerca de 0,8 vez a relação entre valor da firma e Base de Remuneração Regulatória (EV/RAB) projetada para 2027. Para o banco, esse desconto reflete a elevada percepção de risco da tese de investimento, mas esse cenário tende a melhorar gradualmente ao longo dos próximos 12 meses, à medida que houver maior clareza sobre a revisão tarifária e as mudanças regulatórias.






