O aval definitivo para o Nubank (ROXO34) operar como banco no México não é uma linha de chegada. Na leitura da Ativa Investimentos, o marco regulatório muda menos o presente da companhia e mais o que ela poderá provar daqui em diante.
A promessa mexicana, até aqui protegida pelo status de aposta, passa a ser cobrada de verdade.
“A licença mexicana não encerra o teste da tese; ela permite que o teste finalmente comece”, resumiu a corretora.
O ponto de partida é sólido. A operação no país já passa de 15 milhões de clientes, guarda mais de US$ 5,9 bilhões em depósitos, atingiu o equilíbrio entre receitas e despesas no primeiro trimestre de 2026 e prevê US$ 4,2 bilhões em investimentos acumulados até 2030.
A licença destrava conta-salário, investimentos, depósitos maiores e crédito mais amplo — com a conta-salário em posição especial, por tornar o banco a instituição principal do cliente e dar visibilidade sobre a renda, matéria-prima para emprestar melhor e vender mais produtos.
O preço já cobra o México
A questão, para a Ativa, é que nada disso sai de graça na tela.
“Hoje, quem compra NU compra um Brasil mais maduro e paga pela capacidade de replicar o modelo no México”, avaliou a casa.
As contas dão a dimensão da exigência. Em um fluxo de caixa descontado reverso — exercício que parte do preço atual para deduzir o crescimento nele embutido —, o valor de mercado de US$ 66,5 bilhões requer lucro avançando perto de 9% ao ano por uma década; a 5%, o justo cairia a US$ 49 bilhões.
“Parte relevante do valuation já nos parece depender da execução no México, da maior monetização da base e da expansão para novos produtos”, apontou a corretora.
Crédito ainda no banco dos réus
O momento da conquista também importa, porque a tese vinha apanhando. A troca de CFO, o ruído de comunicação do episódio “liquidação/FGC” e, sobretudo, as provisões — US$ 1,8 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em três meses — testaram a paciência do investidor, com o atraso de 15 a 90 dias subindo de 4,1% para 5,0%.
O consolo veio da inadimplência longa, que recuou de 6,6% para 6,5%, “ainda sem evidência conclusiva de deterioração estrutural do crédito”, ponderou a Ativa.
Há ainda um coadjuvante sob observação: o NuFormer, modelo de inteligência artificial já em produção nos cartões do Brasil e do México. Para a corretora, seu sucesso deve ser medido pela maturação das safras de crédito e pela margem após o custo de risco — não apenas pelo crescimento da originação.
No fim, a régua da Ativa é uma cadeia de conversões: transformar clientes em principalidade, principalidade em depósitos, depósitos em crédito saudável e crédito saudável em lucro. A licença mexicana é um elo importante — mas o veredicto sobre a corrente inteira ainda está por vir.






