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JBS: Santander rebaixa ação e não vê catalisadores

JBS: Santander rebaixa ação e não vê catalisadores

Estimativas foram reduzidas para Pilgrim’s Pride, carne suína nos EUA e Austrália, com recuperação do segmento de aves nos EUA mais lenta

O Santander rebaixou a recomendação da JBS (JBSS3) de compra para manutenção e reduziu o preço-alvo de US$ 17,00 para US$ 15,20, com referência para o fim de 2027. A decisão reflete deterioração do momento dos resultados e revisões para baixo em praticamente todas as operações da companhia.

“Adotamos uma visão mais cautelosa para a ação diante da deterioração do momento dos resultados, já que a piora dos fundamentos na maior parte dos negócios nos levou a revisar para baixo nossas estimativas em todas as operações”, afirmaram os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, do Santander.

Após a inclusão nos índices Russell 1000 e Russell 3000 no fim de junho, o banco avalia que a ação carece de catalisadores de curto prazo.

Estimativas cortadas em todas as frentes

As reduções de estimativas cobrem Pilgrim’s Pride, carne suína nos EUA e Austrália. O fechamento de planta anunciado em junho de 2026 e seus impactos sobre o ciclo do gado americano também foram incorporados ao modelo.

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“Nossa avaliação é que a maior parte dos ciclos operacionais está se tornando mais desafiadora, especialmente em carne bovina no Brasil e na Austrália, enquanto a recuperação do segmento de aves nos EUA está ocorrendo de forma mais lenta do que o esperado”, disseram Palhares e Hirata.

A JBS negocia com rendimento de fluxo de caixa de 9% para 2026, o que representa desconto menor em relação à Tyson do que antes da listagem nos Estados Unidos. O Santander reconhece essa melhora de valuation relativo, mas avalia que não é suficiente para justificar a recomendação de compra num cenário de fundamentos deteriorados.

Metodologia de valuation recalibrada com mais peso no DCF

O banco ajustou sua metodologia de avaliação, que anteriormente dividia em partes iguais entre Fluxo de Caixa Descontado (DCF) e múltiplos. Agora, a ponderação passa para 40% DCF e 60% múltiplos, com EV/Ebitda-alvo de 7,4 vezes para 2027 sob normas US GAAP.

“Recalibramos nossa metodologia de valuation, aumentando a participação do DCF diante da contração dos resultados observada no fundo do ciclo”, explicaram os analistas.

No DCF, o Santander utiliza custo de capital próprio de 10,9% e crescimento de longo prazo de 3%. Os quatro principais catalisadores de alta identificados são: desvalorização do real frente ao dólar, recuperação dos preços de aves nos EUA, melhora do ciclo do gado americano e eventual inclusão da ação em outros índices, como o S&P.

“Os principais riscos incluem reconstrução dos rebanhos nos EUA e no Brasil mais lenta do que o esperado, surtos de doenças, impactos do El Niño sobre os preços dos grãos e potenciais litígios decorrentes de questões passadas de governança corporativa”, concluíram Guilherme Palhares e Laura Hirata.

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