A XP Investimentos projeta um trimestre fraco para a Jalles (JALL3) no quarto período da safra 2025/26, cujos resultados serão divulgados em 16 de junho.
A receita líquida estimada é de R$ 489 milhões, queda de 25% na comparação anual, reflexo de um desempenho operacional mais fraco ao longo do ano, parcialmente compensado por preços mais elevados do etanol na entressafra.
A pressão sobre os volumes vendidos deve comprometer a diluição de custos da companhia. O banco projeta EBIT ajustado de R$ 36 milhões (-61% no ano) e EBITDA ajustado de R$ 270 milhões (-49%).
Apesar da sazonalidade positiva do período, o fluxo de caixa livre estimado é de R$ 160 milhões, levando a uma leve redução na dívida líquida no trimestre.
Mix de etanol mantido, sem pressa para açúcar
A Jalles não deve migrar de forma agressiva para o açúcar neste ciclo, mesmo com o início mais acelerado da safra 26/27.
A companhia já possui hedge para os preços do adoçante, e os produtores de etanol em Goiás se beneficiam de incentivos fiscais que mantêm uma paridade mais favorável para o biocombustível em relação ao açúcar equivalente.
A safra 2026/27 começou com ritmo mais intenso de moagem e produção, sustentada por condições climáticas favoráveis — movimento que, segundo a XP, levou a uma correção mais rápida dos preços do etanol e reforça a decisão da empresa de manter o mix atual.
Produtividade se recupera, mas safra forte pressiona preços
As condições climáticas adversas fizeram a Jalles performar abaixo da média do setor na última safra. A expectativa é de recuperação gradual da produtividade no ciclo 2026/27, com uma base de comparação operacional mais favorável.
No entanto, a safra forte de cana-de-açúcar no Brasil em 2026/27 deve manter os preços de açúcar e etanol pressionados, potencialmente neutralizando os ganhos de campo.
Para a XP, não há catalisadores relevantes no curto prazo nem perspectiva de rerating até que o fluxo de notícias aponte para uma mudança mais significativa no balanço entre oferta e demanda do setor.






